O ovo da serpente

Não busco referências em sites oficiais de clubes para um tema. Mas a curiosidade me empurrou para o do Atlético. Em destaque principal na tela inicial está escrito: “Precisamos atacar juntos e queremos ouvir a sua opinião. Existem várias táticas a serem aplicadas no futebol. Para se fazer um time competitivo existe uma: recurso financeiro”. A partir desse apelo, o clube remete o seu torcedor a uma campanha para angariar sócio.

Seria absolutamente justa a chamada se não fosse a motivação de fundo: a diretoria está transferindo a responsabilidade de “fazer um time competitivo” à torcida. Em resumo: o time que jogará em 2013 dependerá do dinheiro do povo. Bem resumido, em linguagem figurada: Mário Celso Petraglia está jogando o macaco no colo da torcida.

Em razão dessa intenção, a chamada deixa de ser justa. Ao contrário, injusta. A torcida nunca deixou de participar, sendo compreensiva com qualquer momento do clube. É da sua natureza. Já consciente que o time seria rebaixado em 2011, manteve-se fiel. No final daquele ano, 23 mil, a lotação máxima da Baixada, era o número de sócios. O número não baixou de 14 mil sócios durante a Segunda Divisão, mesmo não tendo lugar para jogar. Há prova de fidelidade maior?

Esse é o motivo que os elementos permitem essa conclusão. Mas há o motivo principal: pegar o torcedor lá na frente. O acesso à Baixada não será para todas as classes sociais. Essa campanha é o ovo da serpente, o embrião para ser imposto o principio sempre defendido por Petraglia, de que futebol não é para pobre.

Como diria o querido Boluca, quem viver, verá!

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