Não tenho amizade e nenhuma relação direta com o doutor Luiz Salim Emed, candidato de Mário Celso Petraglia, para presidente do Atlético. Apenas respeito-o. E não é por ele ser médico, como manda a cultura brasileira. Meu respeito pelo doutor Emed tem uma origem mais profunda e mais séria: as suas netas são da geração das minhas Gabriela e Julia. As quatro convivem em uma relação forte de amizade, próximas como irmãs.
Em razão desse respeito, adoto essa referência pessoal para provocar o doutor Emed sobre uma questão importante que se tornou pública – portanto, de interesse público: Mário Celso Petraglia nunca leu George Bernard Shaw, mas aprendeu que a brincadeira mais divertida do mundo é dizer a verdade. Quando afirmou que se o doutor Emed fizer igual o “outro” (Marcos Malucelli) reunirá o Conselho Deliberativo para destitui-lo, falou sério. Não se engane:
Petraglia não quis tomar como referência o fato que com o “outro” o Furacão caiu para a segunda divisão. O que ele quis afirmar é que o “outro” não aceitou ser submisso aos seus interesses, que não eram necessariamente só os do Atlético. Petraglia exigia que todos os negócios do Atlético fossem feitos por ele, daí a insurgência de Marcos Malucelli.
A submissão às ordens de alguém, quando não é originária da hierarquia, deforma o caráter e a natureza da pessoa, por mais irrepreensíveis que sejam como são no caso do doutor Emed. Ao aceitar ser presidente, Emed coloca a sua bela história como médico em jogo. É que o futebol não separa nada. Corre risco de rasgar a história de médico e escrever a de executor de ordens, que nos modernos dicionários da língua portuguesa, significa, também, laranja.
De primeira
Leio na Tribuna que um dos projetos da chapa “Atlético de novo” é formar um time competitivo, com jogadores da base e com pouco dinheiro. Penso que forma de cumprir essa promessa é fazer milagre. Pior, só Petraglia prometendo que o Atlético será campeão do mundo em 2024. A eleição do Furacão começou a ficar divertida.

