O outro problema

De rotina, sou criticado de só falar do Atlético. Na lição de Nelson Rodrigues encontro minha defesa. Dizia ele, quando só tratava do Fluminense, que cada autor prefere um certo assunto e faz dele uma doce obsessão. Mas, daí, me acusam, também que eu escrevo muito de Mário Celso Petraglia e pouco do Atlético. O problema é que os acusadores têm razão. Mas, pergunto: alguém entre mortais, tem a capacidade de separar um do outro? Só não digo que os dois se tratam de criador e criatura, porque o Furacão nasceu bem antes.

Não digo que só falo do Atlético, mas falo muito mais do Atlético. Se antes era só por paixão, desde 1995 passou a ser por obrigação de jornalista. Se acham que há exagero no que escrevo, pesquisem ano por ano, quais foram os fatos esportivos mais provocantes. Em todos, com envolvimento direto ou indireto, está o Atlético, e em especial, em razão de quem está dono, o doutor Petraglia.

E vejam só, agora, na despedida de ano. Como as notícias do Coritiba são tristes. Depois da queda para a segunda divisão, o clube é acusado publicamente de ocultar bens penhorados da família do falecido lateral Gil, ex-Chapecoense. Esses jovens eleitos que deveriam causar impacto imediato, apresentam um acadêmico como técnico, e anunciam a volta de jogadores secundários que não serviam ao clube.

O Paraná que despertou a sua torcida falecida com a épica volta à primeira divisão, propõe um acordo com a Justiça do Trabalho, não percebendo que ficava vulnerável em outras áreas.

O Furacão, é verdade, não chegou a lugar nenhum. Seu projeto exótico de não usar o time principal no Estadual, é jogar 5 partidas até abril, é irresponsável sob o aspecto de formação de time. Mas esse, também, é um outro problema.

O fato jornalístico do final de ano foi por ele provocado quando trouxe Seedorf para convencê-lo a aceitar uma proposta para ser técnico. Consumado (o que é provável), não se pode concluir se é um fato bom ou ruim. A possibilidade maior é de de ser um sucesso de marketing e um fracasso de campo. No entanto, esse é um outro problema.

Mas é um fato, que no mínimo despertou curiosidade e movimentos de opinião pública, até do exterior. Seedorf, ainda, não foi anunciado, porque quer se convencer de que o Atlético não lhe dará o desfalque de 4 milhões de reais que o Botafogo lhe deu. Já está convencido que o Furacão não é o Botafogo.

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