O imortal Albert Camus conclui a “A Queda” afirmando que “a vida é a soma de toda suas escolhas”. Em 1995, quando se propôs a projetar para o plano exterior e material a sua grandeza interior e de ideal, o Athletico sabia que o enredo em dado momento, iria lhe impor uma escolha: as vitórias e as conquistas em razão da grandeza real ou as vitórias e as conquistas eventuais, que ocorreram apelando ao acaso?

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O Furacão chegou à essa encruzilhada. Hoje, à noite, na Baixada, contra o Boca Juniors, da Argentina que divide com o nosso Santos, a história mais nobre do futebol de todas as Américas, precisa indicar o caminho quer irá tomar.

A escolha, entenda bem o torcedor, começa, mas não se esgota no jogo de hoje. Embora o significado de uma vitória seja ampliado bem além dos números (e, talvez, da própria classificação), não poderá ser tratada como a escolha errada e, a consequente, perda de rumo. Afinal, o Boca é tão grande, o Boca é tão imenso, que a sua história já está escrita. O que os “Xeneizes”, agora, escrevem, são apenas apêndices e anexos.

O princípio de uma escolha, a vida nos ensina todos os dias, é ter a consciência de que a submissão à história dos outros conduz ao medo paralisante, capaz de deslocarmos da própria existência. É essa consciência que o Furacão deve ter e eu sou capaz de afirmar que, em razão de sua torcida, terá.

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Esse Athletico x Boca é o que a literatura de arquibancada informa como “O jogo do século”. Em Curitiba, em todos os séculos, não houve um jogo tão precioso como esse de hoje na Baixada.

Lucho González deve encarar o Boca Juniors. Foto: Albari Rosa

O time

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Não acredito que Lucho González, estando recuperado, se torne dúvida do técnico Tiago Nunes para ser usado desde o início. Não precisa nem investigar os mais diversos motivos, embora baste a simples comparação com Camacho.

Basta um que qualquer acadêmico apontaria: é um jogo em que as velhas lembranças de Boca x River irão dominar e provocar Lucho González.

Diferente do jogador brasileiro, o argentino guarda sentimentos por velhos amores e rivais. Lucho jogaria toda a sua arte, o seu orgulho de argentino, e a rivalidade pelo River.