Comovida, a sociedade esportiva do Brasil critica, debate e sugere por soluções para salvar o futebol brasileiro. Tostão escreveu o que eu desejava ter escrito: o debate está envolvendo quase só ex-jogadores, que lotearam os estúdios de televisão como comentaristas. Fracos debatedores tornam-se péssimos orientadores, porque ignorando a administração, limitam-se a tratar do futebol do campo. Nosso problema não se resolve com exemplos do passado: tudo mudou. Confesso que só consigo ver debates como esses com os jornalistas Mauro Cezar Pereira e Paulo Calçade, da ESPN. Se os princípios que dão base aos seus argumentos fossem adotados por um comando, a solução estaria bem encaminhada.
O futebol brasileiro não vai retomar o caminho de vitória se não resolver a sua vida fora de campo. E não é tão simples como dizem os ex-jogadores. Os fracassos de jogo são apenas o símbolo da administração deformada pela incapacidade e pela manipulação do poder para amparar e eternizar a corrupção. Bem por isso, o futebol brasileiro perdeu os seus valores morais. E Santo Agostinho diz que o Estado sem valores morais não se diferencia das
quadrilhas.
De nada adianta fazer projetos como os alemães fizeram e os franceses estão fazendo. Eles têm a cultura da espera que nos falta. E, talvez, nem precisemos, porque a qualidade técnica do brasileiro, embora já não seja mais intensa, ainda é suficiente para que, dentro de uma organização, retome o caminho de vitória.
Mudança
A prudência, que nós desprezamos nos tempos felizes de conquistas, agora ganha força vital. Não podemos errar como erramos com Teixeira, Marin e Del Nero. O que precisamos é de uma medida de impacto, que pode ser provocada por um homem de impacto. Para escolhê-lo, sem correr risco de erro, precisamos, agora sim, olhar para o passado. Não há na história recente nenhum dirigente que tenha antecipado o futuro em tão pouco tempo, em razão de sua ambição, originada do orgulho e vaidade, centrada no poder e interesse, como Mário Celso Petraglia, dono do Atlético Paranaense. Se o que ele executou no Atlético, um clube da periferia nacional, tivesse executado no Flamengo ou no Corinthians, o Barcelona seria brasileiro.
É possível que o leitor esteja surpreendido com essa afirmação. Eu surpreendi a mim próprio. Mas é a verdade, e às vezes, precisamos absorvê-la.