Por vezes, o futebol é contraditório, perdendo o seu sentido final. Bem por isso os espanhóis, que melhor escrevem sobre ele, tratam-no como uma metáfora da vida. Daí, parecendo querer mudar o rumo da vida, o futebol faz com que uma vitória, por mais que repercuta no espírito de uma torcida, não seja o fato jornalístico mais importante.

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A vitória do Atlético sobre o Grêmio por 2×1 poderia ser narrada como uma fábula. E não foi pela virada do placar, embora já seria o bastante, pois virar contra o Grêmio, mesmo com reservas, não é coisa que faça todos os dias.

Foi pelo que o Furacão jogou: ordenado por esse precioso técnico Tiago Nunes, teve momentos no segundo tempo, como o gol da vitória de Jonathan, que só não se pode afirmar que foram momentos perfeitos porque eram de humanos. Foi tudo tão simples e foi tudo tão lógico, que acabou sendo tudo tão belo.

Mas não foi o fato mais importante. Concordo que a vitória dividiu as águas do Furacão, encaminhando-o para um plano superior do Brasileiro. Mas isso já era esperado desde que Tiago Nunes substituiu o alter ego de Petraglia, Fernando Diniz, de triste memória.

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O fato mais importante é o Coritiba.

Eu não me engano pela cor da camisa. O Coritiba não interessa só aos coxas, interessa a todos nós que estamos nesse mundo do futebol. Estamos tratando de um clube centenário, do maior vencedor de Estaduais, de um campeão do Brasil, e que até um dia desses, tinha a maior torcida de Curitiba. Então, tratar como uma queda eventual, temporária ou obra do acaso esse seu estágio temerário, é demais simplório.

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É virar as costas para a degradação (não há outro termo que explique) desse valor imenso da nossa sociedade. A imagem da derrota para o Oeste (2×0) foi tão forte, que a alma mais desesperada foi de fazê-la absorver a imagem das grandes conquistas.

É a imagem de uma instituição maltratada por predadores, que sob o bastião do ideal decidiram em uma mesa de bar usar tão valioso clube para praticar as suas aventuras. Uma vitória a mais, ou uma vitória a menos, agora, não irá resolver a vida do clube. Uma crise da responsabilidade não se resolve com vitórias, por ser originária da falta ou excesso de algum elemento da personalidade do ser humano. Só uma intervenção resolve.