O elevador de um edifício de escritório parece a Casa de Irene: tem gente que entra, tem gente que sai. Nele ocorrem inesperados encontros. Por serem inesperados, são extraordinários.
Bem no início da tarde, voltando ao trabalho, entrei no elevador da Galeria Ritz. Apinhado de gente, no seu fundo estava Adriano, óculos escuros, parecendo querer fugir e aumentar a escuridão.
Adriano pode saber quem eu sou, embora perante ele seja eu um pobre mortal. Mas era Adriano, não tenho dúvida; era o extraordinário Adriano tenho certeza.
No inesperado e rápido encontro, minha curiosidade levou-me aos seus pés: estava sem gesso. Deu asas à minha imaginação: vesti-lhe a camisa do Atlético e fiquei a esperar por um daqueles repentes salvadores. O elevador se tornou por segundos a Arena da Baixada. O lance imaginado não pôde terminar. É que fiquei no segundo andar e Adriano foi em frente. Não sei onde parou, onde foi e o que foi fazer.
Lamento que o encontro tenha ali ocorrido. Não existe local que mude tanto a nossa personalidade como o elevador. Ficamos inibidos, sentimo-nos insignificantes. Fosse em outro lugar, relaxados os sentimentos, pediria a Adriano: Volte! No Atlético é o seu lugar.
Explicação
A “Casa de Irene” é uma canção italiana da minha juventude. Cantada por Nico Fidenco, conta a história da bela Irene, uma mulher que atraía os homens em um subúrbio de Roma, mas nunca era amada. Por isso, o refrão: “na Casa de Irene tem gente que entra, tem gente que sai”.
Amigo
Hoje é aniversário do meu querido amigo Marcelo Vardânega Ribeiro. Não sei o que lhe dar de presente. Qualquer um por maior valor material que tenha, não vai retribuir a compreensão, a amizade e a lealdade de tantos anos de história.