O drible

O drible era mais ou menos assim: com a bola dominada, ele atraía o marcador para junto de si. Então, com o pé em cima da bola, ao mesmo tempo em que girava o corpo para o lado esquerdo. Ele e a bola seguiam em frente, o marcador desmoralizado ficava caído.

O drible de Nilson Borges, ponta-esquerda do Atlético nos anos 70s, era um verso. Mas se dele resultasse a jogada de gol ou o próprio gol, o que não era raro, era um poema. Se limitado ao verso, era uma provocação irônica; se resultasse no poema com ponto final, era uma reunião de virtudes: ao drible, seguia-se o lançamento perfeito ou o chute para o gol.

Foi craque na época em que eram muitas as exigências para ser craque. Duas em especial: talento e inteligência. Seu futebol era tão completo, que parecia projetar o futuro: no futebol de hoje seria um jogador moderno.

Mas voltemos ao seu drible. Ah! o drible de Nilson Borges. Era tão belo, que se tornou uma das lembranças mais gratas que minha geração guardou. É a prova que o poder da memória torna-se ainda maior, quando existe lembrança como essa.

É e faz os outros felizes.

É um exemplo de vida, pois se contenta com o que Deus lhe deu. E não foi pouco: uma bela família, amigos, a bola e a camisa do Atlético.

Nilson está saindo do Atlético. Mas apenas da sua estrutura física. Nunca sairá da sua história, porque aí teriam que ser rasgadas muitas páginas.

De primeira: O Atlético como empresa busca a modernização diária. Para não virar uma instituição inchada, enxuga. Antônio Carleto e Borba Filho, que eram olheiros, deixaram o clube. Mais sete foram embora. Carleto foi convidado para trabalhar no Coritiba, e tem

que aceitar. Borba continuará no futebol. Como técnico, aliás, profissão da qual não deveria ter se afastado. Pode ser técnico do Club Oriente Petrolero, na Bolívia. 

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