O dia que gabiru virou príncipe

Adriano, por lembrar príncipes, era um nome extravagante para tão estranha figura. Então, quando chegou para o Atlético, lhe deram o apelido de Gabiru. Como lhe fazia agrado qualquer coisa que não lhe remetesse de volta à miséria de Maceió, gostou do apelido, mesmo sem saber o seu exato significado: rato preto, no Nordeste conhecido como gabiru. Gostou tanto, que incorporou o apelido ao nome.

Hoje, quando lhe perguntam quem é, responde todo cheio de orgulho: Adriano Gabiru, mas imprimindo um outro significado: ao invés de rato preto ou rato-de-couro como, também, é conhecido em sua Maceió, passou a identificar jogador de futebol, às vezes craque, às vezes perna-de-pau, mas agora, definitivamente, o maior nome da primeira parte de 97 anos, da história do Internacional de Porto Alegre.

Que Paulo César Falcão, que nada: aquele futebol que beirava a perfeição virou mero preâmbulo de um capítulo. Esqueçam Paulo César Carpegianni: a sua inteligência incomum para se jogar bola, pode caber em um trecho de remissão ao pé da página. Figueiroa, Caçapava, Batista, Manga, Valdomiro, Claudiomiro, quem foi e deixou de ser, e sonha a ser, por enquanto viraram meros coadjuvantes.

Qualquer história do Inter a ser escrita, depois do gol de ontem no Japão que lhe deu o mundial de clubes, tem que começar e terminar com um único personagem: Adriano Gabiru.

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Pai e filho

Inter 1 x Barcelona, 0: no Japão, Inter campeão do mundo.

A fidelidade de Abel Braga com as pessoas, e que no trato com o jogador se transforma em paternalismo, foi o que levou Adriano para o Japão.

Quando se precisava excluir alguém da delegação, o nome Adriano, o patinho feio que motivava vaias da torcida, era o primeiro nome. Mas, aí, por convicção, Abel tinha o sentimento de que Adriano deveria ir ao Japão.

Quando Fernandão cansou e Pato amarelou, eis quem Abel chama para conduzi-los todos ao céu: Gabiru, Adriano Gabiru.

Naquele momento, vaiado na arquibancada japonesa, ironizado nas ruas e casas coloradas no Rio Grande do Sul, eis quem com rara inteligência, viu o vazio que havia se aberto com Yarlei, e correu para a área ganhando de Puyol: Gabiru, Adriano Gabiru, nome de príncipe.

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