O “burrinho” do Furacão

Como se fosse o “Sete-de ouro”, o burrinho pedrês de João Guimarães Rosa no seu imortal Sagarana, Marcelo Cirino – que “fora comprado, trocado, vendido, revendido, vezes, por bons e maus preços” – tornou-se a esperança improvável do Atlético.

Não sei se por ironia, mas andam dizendo coisas por aí. Cirino é o “cara”, apostam os mais apaixonados. Dizem, também, que depois de Marcelo Cirino o melhor jogador que o Atlético teve é Marcelo Cirino. Essa última, é pura ironia.

Então, fiquemos com o “cara”.

Mas será mesmo o “cara”? O mesmo João do “burrinho” escreveu certa vez que “na panela do pobre, tudo é tempero”? Não é que o Atlético seja pobre, embora ande catando moedas para pagar a conta do mês. Mas não há como negar, que a torcida do Furacão, há tempos, anda carente de uma esperança. Se existia alguma, era dividida entre Lucas Ribamar e Bergson, vejam só. Quer dizer: não havia esperança, mesmo que Bergson, ainda, ande por aí. Uma tristeza.

E, de repente, sob pedras, voltou Marcelo Cirino. E essa volta coincidiu com a saída do técnico Fernando Diniz. E essa coincidiu com a ascensão de Tiago Nunes no comando técnico, que coincidiu com o Furacão voltando a ganhar.

Eu quero que Cirino seja o “cara”.

Mas temo que tudo não passe de coincidência.

E coincidência no futebol chega e vai embora, sem avisar.

Rodada

Sempre buscamos uma referência para projetar o futuro. A do Atlético Paranaense seria esse jogo de Itaquera, contra o Corinthians. Se é assim, pode-se sugerir que uma derrota vai desmentir a tendência de melhoria do time? Qualquer time terá dificuldades para não perder na Arena de Itaquera. Então, a derrota seria absolutamente natural. O que não pode é o Furacão perder unicamente em razão de eventuais defeitos.

Já é diferente para o Coritiba. Em crise financeira, política e técnica, a sua diretoria já não sabe mais o que faz. Uma derrota em Fortaleza, para o líder Fortaleza, pode repercutir no treinador Eduardo Baptista. E aí, teria que começar tudo de novo, pela terceira vez, em 2018.

E, finalmente, o Paraná. Contra o Ceará, na Vila, não pode sequer empatar. E o incrível Lisca, que foi mandado sair pela porta dos fundos, volta com o espirito de “vingador”.

De primeira

Essa coluna é uma homenagem a Davi, que nasceu de Santiago e Fernanda Godino.

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