Números impuros

Foto: Jonathan Campos

O que o Coritiba tem a ganhar neste jogo contra o São Bento, no Couto Pereira?

A resposta parece simples: 3 pontos.

Talvez, por serem simplistas, os coxas estão angustiados na Segundona. A resposta correta não pode deixar de enfrentar uma outra questão: entre os times que jogam com o único objetivo de não serem rebaixados, está o São Bento.

Esse fato cria a seguinte regra: todo aquele que jogar com o objetivo de voltar ao Brasileirão deve ganhar do time de Sorocaba. Então, todos aqueles que concorrem com o Coritiba devem ganhar do São Bento.

Como na Segundona os números são impuros, em razão do equilíbrio imposto pela pobreza técnica e financeira, o que vale para esse jogo contra o São Bento, vale, também, para os jogos contra Vila Nova e Operário.

Bem resumido: ganhando hoje, os coxas, ainda, internamente, não deveriam somar os 3 pontos. A realidade manda-os aguardar os jogos contra o Vila e o Operário, para, então, sim, dividir as águas contra o Botafogo. Ganhar do São Bento e ir em silêncio para o vestiário daria a exata dimensão da responsabilidade de vitória do Coritiba a partir de hoje.

Princípios

No longo tempo em que exerce atividades no futebol e no Athletico, Mário Celso Petraglia alterou muitos princípios, menos três: que futebol não é para pobre, que nenhum técnico merece ganhar fortuna e que o lucro do futebol só vem com risco. Por esse último, sob o seu comando o Furacão nunca depositou o valor da multa rescisória para contratar um jogador. Em 2001, após o título brasileiro, foi voto vencido para o depósito por Alex Mineiro.

Se for confirmado o pagamento de R$10 milhões pelo lateral esquerdo Abner, da Ponte Preta, Petráglia estará dando um alento à torcida atleticana.

Não sei se Abner tem ou não esse valor. Mas o ato, em si, é que terá de ser valorizado. O Furacão mostra que também tem “bala” para competir no mercado. Afinal, com a concorrência de grandes clubes, não é sempre que um Renan Lodi, um Léo Pereira e um Bruno Guimarães caem de graça no CT do Caju.

Calma

Os torcedores do Paraná acham que eu desprezo a bela campanha que o clube realiza na Segundona. Não é desprezo, é surpresa. Diria o Capital: “estou terrivelmente surpreso”. Quando passar desse estágio (pode ser em Pelotas) terei prazer em escrever sobre o Tricolor.

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