A conta que se faz no futebol para se alcançar um objetivo não depende necessariamente da lógica dos números. Se fosse assim, a conta, que se faz para salvar o Coritiba de um novo rebaixamento seria absolutamente simples: com 23 pontos e tendo que alcançar no mínimo 45 pontos, teria que ganhar 22 pontos. Para torna-lá mais simples, bastaria afirmar que tudo se resolve com 7 vitórias.
Ocorre, que no futebol os números não podem viver isolados de outros fatores, que na prática são os responsáveis pela sua criação. A conta, que deve fazer tem que estar associada à qualidade do time, à organização tática, à condição psicológica e a outros elementos que não se vê ou não se sabe, mas que existem e influem direta ou indiretamente no rendimento de campo. As vitórias ocasionais, como contra o São Paulo, quando a situação exige vitórias em sequência, tornam-se terapêuticas.
Então a pergunta não é o que o Coritiba precisa, mas se o Coritiba tem essas condições para conseguir o que precisa, e das quais o futebol não transige.
Direitos
Sem muito interesse popular, discute-se a decisão da Fifa em proibir investidores de serem titulares de direitos sobre o vínculo desportivo do jogador. Foram dois os argumentos: impedir que se use o mercado de jogador para esquentar dinheiro ilícito e para afastar a influência dos empresários.
A regulamentação dessa decisão, que deve incluir alguma sanção para o clube que desrespeitá-la, é quase impossível. No Brasil, sou capaz de afirmar, é impossível. Explico: a Lei Pelé só autoriza que no contrato de trabalho do atleta, os direitos do vínculo sejam do clube ou do jogador, ou divididos por ambos. A CBF nem recebe os contratos que dão a titularidade dos direitos para particulares. E o Código Civil autoriza expressamente a cessão de direitos, como a que ocorre entre clubes e investidores. Então, se nem a lei especial (Lei Pelé) e se nem a lei comum (Código Civil) proíbem esse tipo de negócio, uma norma da Fifa não pode impedi-lo, em razão da submissão dos seus regulamentos à lei brasileira. E se fosse vontade real da Fifa de resolver o caso, o resolveria imediatamente, não deixando-o para daqui a quatro anos.
A influência do empresário no Brasil passou a existir com a Lei Pelé. Se fosse a hipótese de procurar um instrumento para devolver a independência dos clubes e dos jogadores face ao empresário, seria a volta da lei do passe. Mas, aí, seria retroceder.