Certa vez em um restaurante chinês, após ter acompanhado Mário Celso Petraglia na renovação com Kelly, ouvi o seguinte do presidente atleticano: “Se tem coisa que eu não gosto do futebol, são os noventa minutos de jogo”.
Mais tarde ele iria confirmar ser insensível ao futebol jogado, com a célebre frase dita no Conselho Deliberativo: “Eu não conheço futebol, eu não gosto de futebol, eu gosto é de fazer obras e negócios”.
É possível, afirmar, então, que não gostando dos noventa minutos, Petraglia não sofre e não se sente humilhado nas derrotas do Atlético. Há uma lógica, então, nas reações de Petraglia: se não gosta de futebol e não gosta de noventa minutos, e que por isso não sofre e não é humilhado, então não sofreu e não foi humilhado com a histórica derrota, em Juiz de Fora, para o Tupi, 1×0. Foi a única exceção de dois milhões de atleticanos, que foram dormir envergonhados depois desse novo fracasso.
A derrota em si, embora tenha agredido o orgulho atleticano, acabou atendendo apenas uma regra que esse Furacão formado por Petraglia, que é a de perder. Para quem foi remetido para a disputa do rebaixamento estadual, foi goleado pelo Rio Branco na Baixada, perder para o Tupi é absolutamente normal, porque, repito está dentro da regra. Ganhar, como ganhou do Prudentópolis, é exceção.
A questão principal da derrota é a descoberta da mais nova mentira contra a torcida: os reforços. Ytalo e Jadson são inferiores a Crysan e Hernani; Walter é indolente, cuja suposta capacidade técnica é dependente de companhia. Com Paulinho Dias, Bady, Deivid no meio campo, Walter será um caríssimo fracasso. E se não bastasse a falta de jogador, falta técnico.
Escrevi recentemente que o problema do Atlético não era esse time, mas o outro que não passaria de simples vestígios, de outra grande mentira. Até agora, apenas Walter foi contratado. Os outros “reforços” foram negocinhos de Márcio Lara e Paulo Carneiro.
Os atleticanos se tornaram vítimas de si próprio.
Cópia
O saudoso presidente Evangelino, quando o Coritiba dependia de vencer um time do interior para ganhar o título, anunciava que o clube tinha interesse de contratar jogadores do adversário. A lição parece que está sendo copiada. Comenta-se à boca pequena, que os coxas já mandaram fazer proposta por jogadores do Operário.