Existem notícias que ficam velhas porque seus criadores não têm consciência do limite entre o real e o irreal.
Alex no Coritiba é um desses fatos que todo ano é transformado em notícia pelo clube. Quando não se tem mais nada para oferecer à torcida, oferece-se uma ilusão, mesmo que seja irreal, já com características fortes de mentira. Está nos jornais de hoje: Alex não voltará ao Coritiba.
Só mesmo a irresponsabilidade pode alimentar esse fato. Por que Alex retornaria ao Coritiba? Quem conhece o extraordinário meia sabe que não existe nenhum motivo. Aos 31 anos de idade, alcança o mais importante estágio na sua carreira, em decorrência da associação da sua técnica exuberante com a experiência dada pelo tempo.
Sob o aspecto financeiro, nem os grandes times europeus conseguem sensibiliza-lo a sair do Fenerbahçe. O que seria de ordem sentimental é relativo, porque no futebol profissional a intenção pelo amor tem que coincidir com a intenção do fim. E embora não fale por respeito, Alex não fecha os olhos para a inoperância administrativa do clube.
Se não conseguiu manter Marlos, que é um filhote de perna esquerda, bem longe do gênero, como o Coritiba vai revelar a intenção de ter Alex.
Esquecimento
Passei o Paranaense esquecendo que fora do mundo dos grandes, há vida. O Corinthians Paranaense, sucessor do J. Malucelli, deu provas que o futebol não permite mais improviso. A vitória se torna resultado natural, quando o trabalho é baseado no tempo e na seriedade do comando.
Joel e Juarez Malucelli deram essa prova. Juarez, em especial, por ser o homem do campo.
Trabalhar com o tempo é possível quando não existe a pressão de arquibancada, que torna o dirigente refém do torcedor. Mas existem exemplos que a pressão foi submissa ao tempo, e daí surgiram grandes times.
Entre nós, o Coritiba campeão do Brasil de 1985, foi formado por uma base de tempo até relativo. Gomes, André, Vavá, Lela, Edson, Índio, Almir e Tobi já eram anteriores ao próprio campeonato. O Atlético campeão de 2001 não foi diferente. A sua estrutura com Flávio, Nem, Gustavo, Cocito, Kléberson, Adriano, Fabiano, Kléber Pereira já tinha sido construída.
O trabalho do Malucelli foi tão brilhante que no mínimo seis jogadores do time que foi vice, jogariam no Atlético e no Coritiba. E se pensar bem, o técnico poderia ser pensado como solução sem vícios.