Quando Ricardinho deixou o comando do time, escrevi, entre outras coisas, que era um péssimo negócio para a diretoria do Paraná. Não por ter perdido o treinador, mas por ter perdido a fantasia que escondia os problemas. O sucesso de Ricardinho na carreira não foi só em razão do seu talento, embora tenha sido fundamental. Mas, também, porque sempre arrumava um jeito de ficar bem com o patrão. No caso, enquanto o discurso do ex-treinador trabalhava como proteção da diretoria, essa sustentava o seu discurso de realizar uma administração racional e revolucionária.

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Poucos dias se passaram da saída de Ricardinho para que essa fantasia fosse rasgada. E a verdade denunciada em nota oficial pelos jogadores é carregada de fatos graves, que nunca se teve conhecimento oficial no futebol. O atraso salarial, diz a nota, repercute na privação alimentar, escolar e de moradia. Fato gravíssimo, que antecede a falta de limpeza, condutora da falta de higiene, da falta manutenção de gramado para treinamento, e o corolário da vergonha, que é a falta de pagamento da verba alimentar há oito meses para os jogadores da categoria de base. É a concretização da submissão às condições precárias de trabalho.

Não se trata, aqui, de simples descumprimento contratual. Trata-se de violação ao principio da dignidade humana do trabalhador. Os fatos denunciados, tratados pela lei penal, são crimes. Irrepreensível a conduta dos jogadores do Paraná. Tinham e têm todos os motivos para exercer o sagrado direito da greve. Mas ao não o usarem, preferindo a exposição pública dos fatos, evitaram o mal maior. Tiveram pela instituição o respeito, que a diretoria paranista não tem por eles.

De primeira

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A imprensa que cobre o Paraná está chamuscada por esse episódio. Das duas, uma: ou sabia desse estado e não o denunciou, ou não sabia, o que daí revela incapacidade de observação.