A propósito do valor do ingresso avulso para jogos na Baixada, bem resumiu Ítalo Conti Júnior, ex-presidente do Atlético: é impossível ser barato um esporte que entre 22 jogadores, tem quem ganhe acima de 100 mil reais por mês.
Há quem trate com ironia o fato do torcedor do Paraná não ter condições de pagar 150 reais para ir ver o clássico de domingo na Baixada. Ironia maldosa e desprezível. Não é só o torcedor do Paraná que empobrece diante do preço cobrado, e que é a média, dos principais estádios do Brasil. Todos nós, enquanto torcedores, somos pobres.
É que no Brasil, é definitiva a nova ordem: não basta apenas gostar e ser rico, condição que hoje designa um segmento da classe média. Para ver futebol com frequência semanal, o torcedor ou tem que ser sócio ou tem que ser milionário.
Só que no caso do Atlético a nova ordem está sendo usada com abuso. O valor mínimo de 150 reais para ser sócio está se tornando abusivo na media em que o clube não retribui. Não ganha títulos há 5 anos, não tem um único ídolo desde 2001, vive dos contrastes de um ano ser vice da Copa do Brasil, terceiro no Brasileiro, ir para a Libertadores, e no outro lutar para não ser rebaixado. O sócio atleticano está se sentindo tão enganado, que nos últimos dois meses, aproximadamente 3 mil sócios deixaram de pagar. Nos últimos anos, nunca o número de sócios pagantes esteve tão baixo, mesmo com a nova Baixada. E a prova de que o sócio se afasta por se sentir enganado, que durante três anos, sem ter onde assistir aos jogos acreditando nas promessas foi leal ao clube mantendo-se sócio. Em razão dessas circunstâncias, os atleticanos é que são os pobres.
Jantar
Entusiasmado com a relação amistosa travada com a nova diretoria do Coritiba, o presidente Mário Celso Petraglia, no jantar com o presidente Rogério Bacellar fez a seguinte proposta: o Coritiba vende o Estádio Antonio Couto Pereira, ajuda a pagar a Baixada, que então se transforma na Arena Atletiba, antigo sonho de Petraglia. E não foi por descontrair o ambiente e nem por brincadeira. Foi sério, tanto que Petraglia voltou a insistir com a proposta.
O presidente Bacellar disse que era uma proposta para estudo.