Noite de graça

Na Arena da Baixada, Atlético 5×0 Avaí.
E, aí em lembro que escrevi ontem, que o Avaí é um time encomendado para cair.
A coerência me obrigaria atribuir a goleada à debilidade dos catarinenses. Mas como o jornalista esportivo, cheio de paixão, às vezes, tem que dar um tempero à coerência, farei o seguinte.
Para que a euforia dos números não me influencie, descarto a goleada. Só que o faço com pesar, pois uma goleada de 5×0, em uma selva que é esse campeonato, é o bastante para encontrar todas as virtudes e nenhum defeito no time vencedor.
Então, fico com a vitória simples do Furacão, em estado puro, tratando-a pelos números racionais. Ainda, assim, nada mais do que espetacular.
E não pela vitória como busca obrigatória e necessária. Mas como ela foi produzida. Sem nenhum vestígio da proposta anterior, agora usa a posse de bola como um fim para alcançar a área adversária, ficando próximo ao gol.
E isso só foi possível por dois motivos: Lucas Fernandes, ao contrário de Douglas Coutinho, quando corre, consegue pensar, o que dá consciência ao jogo de velocidade pelo lado direito. E o outro, o principal, foi Guilherme, que buscado no fundo do baú, é o meia que entra na área e finaliza, daí os seus dois gols. Esse fato é relevante para quem tem centroavante como Ribamar, Ederson e Eduardo da Silva.
Agora tenho o direito de colocar na conta da euforia o brilhantismo dos improváveis dois gols de Eduardo Henrique, vindo do banco de reserva.
Mas aí o jogo já estava de 3×0.
Não quero arriscar para amanhã não me desmentir, mas desconfio que ontem, o treinador Fabiano Soares andou fazendo coisa por conta própria. É que foi um outro Furacão.
Guilherme foi o melhor.

Coxa

No Morumbi, São Paulo 1×2 Coritiba.
Dirão que eu vi o jogo do Atlético e vi pouco dos coxas.
É verdade.
Pergunto: era preciso ver o jogo de um Coritiba enrolado pelos números, na zona de rebaixamento, maltratado pelas contusões, sem Kléber, seu líder e melhor jogador, diante de um São Paulo no Morumbi, apoiado pelo maior público deste campeonato (55 mil pagantes) para afirmar que foi uma vitória espetacular?
Respondam: era preciso ver o jogo?

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