O Atlético joga hoje no Morumbi contra o São Paulo. Toda vez que isso acontece sou provocado pela lembrança de uma das maiores vitórias da sua história: 1 x 0, gol de Assis, pelas quartas de final do Brasileiro de 1983. Na época repórter de rádio, acompanhava o ataque do time que atacava mais. Por isso vi de longe o gol de Assis, mas tive os olhos grudados nos milagres de Roberto Costa. Jamais vi um goleiro jogar o que o “Mão de anjo” jogou naquele sábado.

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Jogar no Morumbi era duro, era difícil. Ganhar do São Paulo, então, era fato que inspirava um capítulo especial da história. Hoje continua difícil porque a tradição alimenta os temores do torcedor, mas as coisas mudaram tanto, que ganhar no Morumbi já entrou no campo da probabilidade natural do futebol. Não quero dizer que o Atlético vai ganhar hoje, mas se ganhar, não estará dentro do inesperado.

Não há insubstituível. Mas quando as individualidades são raras, tem que se pensar bem para arrumar um time que fica sem Zezinho.

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O desabafo do treinador Dado Cavalcanti sobre o atraso salarial e sistemático nos salários do Paraná poderia ser absorvido como um fato de rotina. Foi até pouco, porque já era motivo de outra greve como ocorreu no ano passado. Só que, embora o fato tenha a mesma natureza, é mais gravíssimo. O presidente Rubens Bohlen e o diretor Celso Bittencourt passaram todo esse tempo fazendo discurso de moralidade para justificarem as dificuldades da vida do clube. Permitiram a alienação em leilão judicial de um imóvel valioso para pagar as dívidas. O dinheiro acabou e as dívidas continuam, com as velhas somando-se as novas. O discurso moralista perdeu a razão, porque ao continuar não pagando alimentos para profissionais e funcionários, a diretoria prova de que não fez nada de importante para mudar o que combatia.