Torcida organizada não é formada de torcedores. É comandada por profissionais, que transformam a paixão pelo clube em um lucrativo negócio. São associações, que se desviando da proposta de ideal, passam a ter fins lucrativos. Com as suas marcas inspiradas no clube ao qual se penduram, com eles concorrem, tornando-se ricas. Uma parte razoável de seus integrantes tem alguma passagem pela polícia. Marcam território pela violência, modelando-a para ganhar poder. Incentivando essas associações, estão todos os clubes. Seus dirigentes, para buscarem a proteção por fracassos e para atender interesses, estabelecem com elas relações promíscuas.
Exemplos
Aqui temos exemplos recentes e que já se tornaram históricos: Mário Celso Petraglia, que surgiu como um exemplo de dirigente, também, porque combatia essas associações, foi buscar nelas a proteção para o seu projeto de poder nas eleições do Atlético. Vilson Ribeiro de Andrade, que praticou um gesto histórico ao bani-las da vida do Coritiba, rasgou o próprio gesto ao convocá-las a voltar.
Se tristes são esses exemplos, trágico é o exemplo dado pela diretoria do Paraná. Raras vezes tivemos uma exibição tão clara e, infelizmente, tão real dessa verdade, como essa que está oferecida por ela ao ceder o espaço em sua camisa para estampar o nome de uma torcida organizada. “É um negócio comercial”, diz o seu diretor de marketing. A justificativa compromete ainda mais o conteúdo ético da relação, tornando-a, ainda, mais grave. É o comércio da dignidade de uma instituição, uma declaração de pobreza, uma declaração formal desse estado promíscuo, um incentivo a própria violência, que todos os jogos faz uma vítima, subtraindo o aspecto social do futebol, enquanto valor cultural da família brasileira.