Negócios de família

A intervenção dos governos Estadual e Municipal não pode ser limitada à conclusão das obras da Baixada. Salvar Curitiba como sede da Copa é o mínimo que se espera de Fruet e Richa. É preciso ir bem além. É preciso que esses governantes, ou na omissão deles (o que é provável), o Ministério Público, entrem no buraco negro que se tornou a autogestão da construção da Arena. E sendo uma grande instituição, o Atlético, também, tem a obrigação e não pode deixar incubadas as razões que já colocam em risco potencial todo o seu patrimônio.

Não é razoável atribuir só à variação do preço de mercado e à demora na liberação do financiamento estatal as razões para o estado temerário que se criou para concluir a Baixada. Há dois anos, a Arena era a única obra certa e definitiva para a Copa, “o estádio quase pronto”, como definiu Beto Richa. Omissos concordaram com a mudança de projeto em razão da obsessão do teto retrátil. Então, o que já tinha 45% construído, foi reduzido.

Nenhum governante se preocupou em estabelecer limites no orçamento, preferindo o comodismo de dar dinheiro toda vez que Petraglia pedia. Tamanho despudor escancarado por denuncias públicas e provadas, que Petraglia, à investe em filho, genro e primo, fazendo da obra um negócio de familia, nenhum governante se deu ao trabalho de cobrar.

Não estou propondo uma investigação para concluir por desvio de dinheiro. Mas de aproveitamento de uma situação privilegiada que a omissão do Poder Público permitiu. É preciso perguntar sem medo: qual foi o beneficio direto e indireto da família Petraglia até agora na construção da Baixada? Os governantes não se preocuparam em ver o que acontecia em um território demarcado por Petraglia em que a transparência não é prioritária.

É, também, por esse tipo de comportamento omisso que os brasileiros hoje se negam a atribuir qualquer valor moral aos governantes.

Siga a Tribuna no Google, e acompanhe as últimas notícias do estado do Paraná!
Seguir no Google