O conceito de craque foi deformado pelo mercado do futebol. Generalizado, estende-se para incluir um jogador de brilho eventual, mesmo que em regra seja um perna-de-pau.

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Mas já teve um tempo que craque era outra coisa. Para alcançar esse estágio, o jogador tinha que ter uma fonte inesgotável de virtudes. Não bastavam as aparentes, porque essas são descobertas. As virtudes desconhecidas eram as que faziam o craque, porque entre elas estavam as que o adversário desconhecia.

Dentro deste conceito restritivo, o último craque que o futebol paranaense revelou foi Alex, dos Coxas, em 1995. Há 17 anos que não surge um craque por essas bandas. Projetos de craque foram muitos, muito mais produzidos pelo mundo virtual para atender interesses do que por atender o básico do conceito.

Não é entusiasmo próprio dos carentes, nem rompante ilusório, mas esse menino Harrison, do Atlético, carrega escondidas virtudes diferentes, que apresenta a cada jogo. Não sei se será craque, mas não me parece só ser um bom jogador, que antigamente era um jogador comum. Já há alguns jogos, exalto-o. Mas ontem, na goleada do Atlético sobre o Corinthians (4 x 0) provocou encanto. Com camisa de reserva, entrou no intervalo para jogar o segundo tempo. O jogo já resolvido pelo líder caminhava para a preguiça. Foi, então, que Harrison mudou o ambiente do Janguitão. Deu beleza a um jogo de goleada previsível, com o domínio da bola, os lançamentos, os dribles, tudo com fineza e inteligência. Se resultasse em gol, o lance em que envolveu a zaga corintiana, com dois chapéus, em um palmo de gramado dentro da área, já alcançaria o estágio de craque. Mas deixou uma certeza: está nascendo um craque, 17 anos depois de Alex.

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Geraldo Damasceno foi a maior autoridade no futebol paranaense em seu tempo. Ele dizia: “O jogador que sabe jogar, joga com qualquer idade.”