Na lona

Não sei o que Mário Celso Petraglia falou na ?Voz do Brasil?. Nem procurei saber. Qualquer coisa que tenha falado, por mais importante que tenha sido, o que não acredito, deve ser desconsiderada. O estado emocional de Mário Celso era de um homem em desespero. Submisso às magoas e ao rancor. Já em trânsito para o ódio. Em regra, um homem assim ataca sem saber qual o limite.

Não pensem que Mário Celso quis oferecer razões de defesa. Se fosse essa a intenção, rebatia as críticas com propostas de solução imediata para os fracassos diários de sua administração atual. Seu objetivo foi querer calar as críticas a partir de agora. Quando não processa, parece personagem saído de ?O Príncipe?, próprio de quem exerce o poder: cria um estado de coação, do qual gera o temor. A entrevista coletiva foi um fracasso. Se alcançou o objetivo de Petraglia, não alcançou o objetivo que se esperava: o Atlético.

Pareceu a entrevista de Lula outro dia no Planalto, na qual a imprensa se submeteu a ordem do dia: submissa, não o contraditou. Petraglia mostrou que é inteligente. Fez da imprensa e dos ?coxas?, os temas. Em linguagem vulgar, aliás apropriada para o que ocorreu ontem na Arena, fugiu do pau. E então, ninguém absolutamente ninguém o provocou para que explicasse para a torcida o time que ele formou. Sobre a sua competência para construir, e a incompetência para comandar o futebol. E cometeu um erro histórico: o presidente na Libertadores de 2000, era Ademir Adur.

Bem resumido, Petraglia bateu até sangrar, constrangeu com citações de nomes, e jogou a imprensa à lona. E já começou a contar até dez. Resta saber quem terá fôlego para se levantar e voltar ou entrar na luta.

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