No Beira-Rio, Internacional 2×1 Atlético.
Não há derrota mais doída como essa do Furacão no Beira-Rio: com um time só de reservas, fazendo um jogo de encher os olhos, sem jogar retraído, sem dar um único chutão, contra um Internacional protegido por 30 mil gaúchos, acabou perdendo no último minuto por erro de arbitragem.
E não foi um desses erros que se possa colocar na conta da fragilidade do ser humano. Foi assim: era a última bola do jogo, em direção à área rubro-negra, que ficou entre Márcio Azevedo e Rossi. Esse segurou a camisa de Márcio, e quando a largou, já com a bola perdida, atirou-se na área. Como se fosse um pênalti programado, marcou-se o pênalti que D’Alessandro converteu no gol da vitória.
Pois quero dizer que o fato não me surpreendeu.
O que você vai ler a seguir eu já tinha antecipado em nota separada. O fato do Beira-Rio apenas associou uma à outra.
Uma conversa de escritório em Brasília criou um fato nacional: Mário Celso Petraglia seria o homem do presidente eleito Jair Bolsonaro para promover mudanças no futebol brasileiro. O cartola não será convidado, e se for convidado, não irá aceitar por ser vulnerável. No entanto, ficou com o carimbo de escolhido, o que não é bom para o Atlético.
A partir da próxima quarta-feira, o Furacão vai começar a disputar a semifinal da Copa Sul-Americana contra o Fluminense. Não é pouca coisa para quem cresceu fora, mas continua arredio a títulos de grandeza.
Esse comportamento de Petraglia, às vezes, é mais do seu interesse do que do interesse Atlético. Só que a fatura sempre vem para o Furacão pagar.
O risco do Furacão ser prejudicado nesses jogos com o Fluminense, é todo ele de Petraglia.
Conformismo
Bem mais triste do que a melancolia da derrota é a melancolia do fracasso. Naquela, desde que exista consciência dos seus motivos, descobre-se uma ponta de esperança; na melancolia do fracasso não resta nada, nem a própria mentira, da qual tem origem.
A noite de sábado no Couto Pereira foi ambientada nessa melancolia do fracasso. A derrota para o Guarani por 2×0 foi o menor dos problemas. A imagem dos torcedores saindo apressados, em silêncio e resignados do Couto, é cheia de significados. Um desses gravíssimo: o conformismo, pela aceitação da derrota como hábito, e pela adoção do fracasso como uma rotina de vida.