Na bola

Já há algum tempo estava eu fazendo a apologia da sorte, que o Atlético estava tendo neste campeonato. Sempre no último minuto, até depois do último segundo, e sempre com William, não tinha como excluir o argumento da sorte como causa de vitórias. E era aí o grande perigo: por não ter cores, a sorte pode bandear de lado.

Mas eis que vem a grande surpresa: o Atlético jogando bem. Em alguns períodos contra o São Caetano foi além, excepcionalmente bem. Não foi de graça a vitória sobre o São Caetano por 3 a 1. Foi produto de um jogo consciente e de objetivo inusitado, tratando-se do time de Vadão: jogar em linha reta, em direção ao gol.

Logo de cara foi marcando com Ferreira. Perdeu mais dois com Denis Marques e nem se importou com o gol de empate. É que Denis longe do gol anda bem, e por isso, deu a Marcos Aurélio o segundo gol. E depois, sem pressa e sem traumas, foi levando o segundo tempo, até que Marcos Aurélio fez o terceiro.

O Atlético jogou como sempre deve jogar. É verdade que um ou outro jogo exige mais precaução, como o próximo contra o São Paulo. Mas são poucos esses jogos, porque a maioria dos adversários é no máximo igual. Aliás, quase não tem diferença entre um e outro. A diferença surge no campo: quem se organiza mais e quem corre mais ganha o jogo.

Não tem craque nesse campeonato. O inusitado Obina, do Flamengo, é a referência de todos.

Carisma

Podem não acreditar, mas me preocupam os coxas. Para nós que vivemos nesse mundo do futebol, e em especial num mundo pequeno como o nosso, não é bom ver os coxas há um mês perdendo, e perdendo para Brasiliense e Ituano. E tudo isso tendo como cenário a Segunda Divisão.

Vi os 90 minutos do jogo em Itu. Há tempo, não via nada pior. Um time desorganizado, desalmado, parecendo um grupo reunido à última hora para cumprir uma obrigação, sem objetivos. E não foi a primeira vez. Nem a desculpa dos gols perdidos agora serve.

O problema do Coritiba todos têm medo de atacar. Atende pelo nome de Paulo Bonamigo, o técnico.

Não que ele seja mau técnico, mas porque não tem a virtude que a função exige: a personalidade refletindo nas ações dos jogadores, virtude que na prática se identifica como carisma.

Existem treinadores que se recolhem diante da necessidade de vitória. Vadão não tem carisma. Osvaldo de Oliveira não tem carisma. Muricy Ramalho não tem carisma. São diferentes de Abel Braga, Luxemburgo, Leão, que com um ato e um olhar são capazes de criar um fato que mude o jogo. Querem um exemplo de um treinador de carreira pouco brilhante, por falta de oportunidade, que tem carisma e serve para essas horas de desespero: Lori Paulo Sandri.

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