Na Baixada, pelo Brasileiro: Atlético 3×0 Flamengo. Um a um, os meus netos vêm chegando lá da Baixada. Camisa vermelha e preta vestindo o corpo, o sorriso vestindo o rosto e a esperança vestindo o coração. No grito juntando-se a outras crianças no restaurante do Clube Curitibano, o resumo dessa felicidade em estado puro: “O Furacão voltou! o Furacão voltou!”
O jogo e a vitória soberbos sobre o poderoso Flamengo, definitivamente, provaram duas coisas: é um outro Furacão que emerge do comando do treinador Tiago Nunes e, mais uma vez, que para o bem ou para o mal, quem manda no campo são os jogadores. Lucho González e seus companheiros (todos, sem distinção) parecem que a cada jogo, agradecem a compreensão de Nunes em fazê-los jogar dentro de um esquema racional. Ninguém queria, porque não poderia ser, Iniesta, Xavi, Busquets e Messi, e ninguém queria imaginar que no banco estivesse Guardiola, como impunham Diniz e Petraglia. Todos queriam e querem ser o que são: mortais.
Sem amarras, com gosto pela bola e com incrível capacidade para variar as funções, jogando com tudo do bom e do melhor, o Atlético engoliu o Flamengo. Bem consciente, foi impositivo pelos lados, em especial com Renan, fazendo o seu jogo gravitar em Lucho González e Raphael Veiga.
O time de Tiago Nunes era tão operoso que quase bateu na perfeição, subjugando os cariocas em apenas 21 minutos de jogo. Nesse tempo, com gols de Pablo, Raphael Veiga e Zé Ivaldo antecipou a vitória. O resto do tempo seria apenas para saber de quanto seria. Atordoado, o Flamengo não tinha a quem recorrer. O máximo que conseguiu foi o de não sofrer uma goleada histórica.
O único atleticano derrotado na Baixada foi Petraglia.
O Furacão ganhou, deu um clássico 3×0 no Flamengo, manteve uma escrita de quase meio século e, assim mesmo, a torcida o xingou. E com razão, porque ninguém mais do que ele tem a capacidade de sufocar os sentimentos.
Lucho González não jogou. Deu aula de futebol.