Até um dia desses era um esquecido, sem contrato. Depois, era um esquecido pela injustiça, pois estava jogado na reserva. No entanto, com seu aspecto clerical, construiu a sua primeira grande obra no mais nobre palco do exercício da arte, o Maracanã, passando o domingo como o artilheiro do Brasil: Pedro Oldoni, 20 anos, centroavante do Atlético.
Por não ganhar um único jogo há 55 dias, parecia acostumado ao desconforto de perder. E por isso ou não, só perdia. Perdia em Campo Mourão, na Arena, em Mogi Mirim, em qualquer lugar que jogasse. Dominado por esta fadiga nervosa, em estágio de crise, preparava a dispensa do seu quarto técnico, e a contratação do seu quinto técnico em 2006. No entanto, ganhou da mística ?Estrela Solitária?, do Botafogo no Maracanã, ganhou com a sova clássica de 4×0 que não é placar casual como um a zero, ganhou sendo brilhante, ganhou sendo capaz de tornar simples a exuberância vulgar a soberba: Clube Atlético Paranaense.
A obra de Pedro Oldoni não foi produto da típica sorte de novatos. São poucos os jovens desta carente geração, que se colocam tão bem dentro da área para estimular a vocação de fazer gols. Pedro nada mais fez do que gols que o não deixavam fazer.
Mas não confundam a tarde de Pedro com a tarde do Atlético. Embora pareçam iguais, não podem ser confundidas. Se a bola continuar sobrando na área, Pedro vai continuar empurrando e fazendo gols. Mas o Atlético voltará a ser tão fantástico como foi no Maracanã? As coisas no futebol para não iludirem, não podem ser alienadas a uma vitória extraordinária, principalmente conquistada em uma ocasião inesperada.
Em sã consciência, era esperada tão galante exibição do Atlético?
Acolha-se por momentos a sensação de que as coisas estão mudando.
Espere-se, no entanto, a certeza de que as coisas mudaram. Contra o poderoso Internacional, domingo na Arena, é uma bela ocasião para se entrar nesse mundo novo.
Mundo velho
Perdido o técnico campeão, improvisou-se alguém que teorizava em microfone. A cada dia um jogador ia embora, e no outro dia um outro chegava. Por isso não ganhava há vinte dias. Encolhido entre os últimos, temia continuar perdendo. E, se perdesse outra vez, entraria em crise.
No entanto, jogando como nunca jogara, fez uma partida inesquecível no Pinheirão. Goleou o Grêmio dos gaúchos por cinco a dois, e em alguns minutos parecia alcançar a perfeição: Paraná Clube.
A vitória como resultado de jogo, mesmo sendo escancarada pelo placar (5×2), não foi o mais importante. Mas o jogo é que foi. E há muito não se via um time usar tão bem os lados para chegar ao gol, como o Paraná usou. Lembrou o velho princípio de que futebol é pelas pontas.
Na frente com tão fantástico jogo, esteve o treinador Caio Junior.
Mas não se iluda o torcedor paranista.
O Grêmio é grande, mas é fraco.