As redes sociais revelam o desconforto, que já chegou aos conselheiros do Atlético. Ainda ontem, um pedido de reunião extraordinária já colhia assinatura. Não me surpreende, conheço o sentimento de torcedor.

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Se Mário Celso Petraglia tivesse sido sincero e, entre as promessas de campanha não tivesse a da formação de um time de Série A para ganhar a Segunda Divisão, seria compreensível. Mas o ponto central da sua campanha foi a formação do grande time, que começaria com Jadson. A reação do torcedor é a de qualquer pessoa que se sente traída. No caso, mais grave: que teve a sua paixão usada como instrumento de captação de votos.

Nem a defesa da construção da Baixada pode ser usada por Petraglia, a partir das suas próprias palavras na época: “A construção da Baixada já está resolvida. Só temos que tratar de futebol”. Qualquer um acreditaria, por ser verdade: sem a presença de Petraglia, o Atlético já havia formalmente contratado com o poder público o termo de responsabilidade para a reforma da Baixada. A discussão no conselho estava limitada à forma de administração.

Se não existia – como não existe e não poderá existir -, uma associação entre a administração do futebol e da construção da Baixada, era obrigação de Petraglia cumprir o que prometeu para a torcida. Mais ainda: tinha à disposição 20 milhões de reais depositados em dois bancos, e a verba da televisão. Dinheiro vivo, portanto. Bem administrado, formaria um grande time e, ainda, teria saldo. Ganharia o Estadual, evitaria o tri dos coxas e estaria comandando a Segundona. Mas Petraglia contratou Fernandão, Léo Mineiro, Rafael, Adriano, Renan Teixeira, Patrick, Alan Bahia, Wewerton, Luiz Alberto e Ligüera. Então, o caso, ganha a agravante da irresponsabilidade, porque se gastou 20 milhões em jogadores, e não há um time. E qual a ação tomada pelos conselheiros e administradores do clube? Esse silêncio está devolvendo à vida do Atlético a figura condenável do “laranja”.

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Depois de 18 anos, Petráglia ainda não se convenceu de que o torcedor é um apaixonado, mas não é burro. O atleticano já sabe que para construir a Baixada o clube não precisa de ninguém em especial.