Não pensei que uma simples notinha, que bem poderia ser jogada no pé de página, fosse capaz de provocar tanto atleticanos e coxas. Lembrando: escrevi que o presidente Petraglia sugeriu ao presidente Bacellar, que o Coritiba se unisse ao Atlético para viabilizar o pagamento e o uso pleno da Baixada. Entendi que esse não deveria ser o tema principal, mas uma simples notinha, sem imprimir importância. Deixei de contar o que teria motivado Petraglia a fazer essa sugestão. Irei escrever o que penso, o que não é necessariamente o argumento final do presidente atleticano.
A Baixada, se ainda não custa, irá custar ao Atlético um valor próximo de 9 milhões de reais por ano. Esse é a média do custo dos estádios construídos para a Copa do Mundo. Esse dinheiro tem que vir da exploração da Baixada, dos mais diversos segmentos comerciais. A venda do nome, a venda de publicidade, a promoção de eventos, a renda dos jogos, entre outros. E, aí, entra a crise da economia brasileira, que repercute, também, no futebol. Para se ter público através de sócios é preciso ídolos ou time para ganhar títulos, e para isso é preciso ter muito dinheiro. Misturar o dinheiro do futebol com o necessário para o sustento do patrimônio leva a quebra, fica sem nenhum dos dois. No máximo, uma única vez, foram todos os sócios pagantes à Baixada, que hoje não passam de 20 mil. A média é o uso de um terço, deixando todo o resto ocioso e caro demais. A situação só não se torna grave, porque ainda os financiamentos que construíram a Baixada não são exigíveis. Quando tiver que pagá-los, não tenham dúvidas, a situação do Atlético ficará ainda mais dificil.
Em curto prazo, dentro do atual estado e circunstâncias, talvez pense Petraglia, o Atlético sozinho não conseguirá viabilizar a Baixada. E há exemplos: Maracanã, Arena Grêmio, Beira-Rio e Itaquerão estão dando prejuízos, ainda que muitas vezes lotados. Aí entraria a parceria com o Coritiba, que também está enrascado com a obrigação de revitalizar o Estádio Antônio Couto Pereira ao custo de mais de 120 milhões de reais.
Perguntarão atleticanos: o que você acha?
Não tenho dúvida de que a Baixada foi construída com uma intenção de neutralidade. Não há nela uma única referência que lembre o Atlético, a não ser a história. Não há a marca CAP, não há vermelho e não há preto. Agora é cinza e nada mais, cantaria Noite Ilustrada. Então, nada me surpreende.
O problema de manutenção da Baixada existe e tem que ser enfrentado. A situação não é boa, é temerária. A torcida atleticana tem culpa direta, pois se acomodou com as promessas de que no futuro seria diferente. Esqueceu de exigir uma data para esse futuro. E o futuro no Atlético, como sempre escrevo, nunca chega, fica sempre para amanhã.

