Nós jornalistas, às vezes, usamos do comodismo para explicar uma derrota. Imprimimos ao motivo aparente o caráter absoluto, desprezando o motivo de fundo, que sempre é o fundamental, que sem ele a derrota não teria ocorrido.
O Furacão se desconcentrou ao empatar com Cleberson no final do jogo e o Coxa se desequilibrou taticamente pela ansiedade que gera a zona de rebaixamento.
O motivo aparente é perigoso. Pode ser confundido com o acaso e criar o engano que será imediatamente afastado. Os fracassos de Atlético e Coritiba tiveram um motivo em comum, o de fundo: os gols perdidos por Marcelo Cirino e Robinho.
Lembre o leitor, do jogo do Maracanã. No primeiro tempo, quando o domínio era do Furacão, uma bola ficou limpa para Marcelo, na grande área e com o goleiro Cavalieri já em desespero. Marcelo escorregou e perdeu o gol. Avance um pouco e lembre-se o torcedor do segundo tempo: duas bolas limpas sobraram para Marcelo, que ao invés de olhar Cavalieri saindo do gol para, apenas colocar, chutou sem olhar, perdendo-as. Marcelo parece que joga com os olhos vendados. Com um dos três gols perdidos que perdeu, o Furacão não teria saído derrotado do Maracanã em um jogo que foi igual. E, então, não haveria o motivo aparente que se usou para explicar a derrota. Foi exatamente o que aconteceu com o Coxa no Couto Pereira. Concordo que foi um time de muitas facetas, a última errada: recuou demais no segundo tempo e tirou Alex, que parado, sem precisar correr, gera mais conflito no adversário do que um jovem a galope.
Era o último segundo do jogo, quando a última bola sobrou para Robinho na área e com o goleiro gaúcho já batido. Robinho chutou na trave, perdeu o gol da vitória e o Coritiba voltou para a zona de rebaixamento. Se Robinho marcasse, o Coxa teria vencido o jogo, e não haveria o motivo aparente, que fez o clube contratar até um psicólogo.