O Coritiba capitulou em Chapecó. Como se fosse o retirante Severino, saído do poema de João Cabral de Melo Neto, ou da adaptação de Chico, a segunda divisão “é a conta menor que tiraste em vida”.

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A Segundona acaba ficando de bom tamanho, nem largo e nem fundo. É a lição perfeita para um clube, que há anos despreza a sua história, estimulando uma política rasteira, na qual sobrepõem as vaidades e os interesses.

O Coritiba neste Brasileiro não foi nada diferente do Coritiba dos últimos Brasileiros: um exemplo bem-acabado de uma administração perdulária e incapaz no trato do futebol.

O resumo deste estado foi a última imagem: um técnico silente, olhando um time derrotado antes mesmo de sofrer o segundo gol, o da derrota. Um time que se apoiou em Daniel, Anderson e Keirrison como “salvadores”.

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Não pensem que o gol da vitória da Chapecoense por ser no último segundo e da última bola, foi golpe do acaso. Foi a forma como o futebol resolveu agir para punir o histórico recente do grande clube. Não bastava só cair, porque a queda, em regra geral, é atribuída ao fracasso de campo e a generalização de outros motivos. Uma madrugada depois, vive-se a ilusão de que com time, a história carrega o rebaixado. Era preciso uma lição com boa dose de trauma.

Não adianta caçar bruxas, buscar culpados e sacrificá-los na história, embora nenhum clube é capaz de sobreviver a Bacelar, Guerra e Macedo. O Coritiba não caiu ontem. Há anos vem rebaixando a si próprio, todos os dias.

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Antes, tinha uma bola já improvável de Alex, depois a inteligência de Carpegiani para salvar causas perdidas. À certa altura, o “Pequeno Príncipe”, de Antoine de Saint-Exupéry, ao tratar das derrotas, lembra que “há derrotas que matam, outras que despertam.”

Derrotas como essa sofrida pelos coxas, despertam os grandes. Resta saber se o Coritiba não esqueceu de ser grande.

Furacão

Amanhã, eu escrevo sobre o Furacão.