Morte da perfeição

Já pelo nome era possível dar a exata dimensão da sua imponência como narrador esportivo: Luciano do Valle. Foi o maior de todos não por ter sido necessariamente o melhor. Mas porque foi o mais completo. E por ter sido, assim, bom por inteiro, Luciano fez a escola que não cansa de formar narradores esportivos para a televisão.

Nós humanos, sendo fracos na disputa com o tempo, em certo momento da vida deixamos de ser como éramos. Nossas virtudes parecendo esgotadas, nos obrigam a jogar um jogo contra o nosso próprio passado. É o jogo jogado. Se lá atrás não fomos bons, perdemos esse jogo.

Luciano, por ter alcançado a perfeição como narrador, só perdeu para o tempo. Foi tão grandioso que ganhou do seu próprio passado.

Sem Luciano, a vida continuou no sábado.

O Coritiba de Roth com três volantes prendeu os lados e obrigou os atacantes a voltarem. Quer dizer, jogou para não perder em Chapecó. Saiu-se bem: 0x0. E quando tiver que jogar para ganhar? E seria fácil criticar o futebol rústico e atribui-lo à cultura de Roth. Mas não seria justo. O time é fraco, pois não tem qualidade. Quando há limitação individual, há obrigatoriamente limitação tática, reduzindo a variação de jogo. A forma do Coxa jogar me provocou a curiosidade de saber como o futebol de Alex será aproveitado no time turrão de Roth.

Depois da semana cheia de perturbação, seria natural uma derrota do Atlético, em Florianópolis, para o Grêmio. Mas, no futebol brasileiro, tudo que em tese é natural, pode deixar de ser na prática. A surpresa se torna natural.

O Furacão recuperou uma virtude: jogar marcando para recuperar e ter a bola para o contra-ataque em velocidade com Marcos Guilherme, Marcelo e Éderson. Quando o gol da vitória, de Dráusio saiu, o time já estava enquadrado dentro de um esquema humilde e conservador. A partir do gol, passou a se aproveitar de um fato que decide no futebol brasileiro: a falta de qualidade do adversário. Os gaúchos perderam gols e quando viram, não tinham mais condições de empatar. Furacão 1×0.

Correto o técnico Ángel Portugal na troca de Weverton por Santos, no gol. Santos é mais simples, por isso se torna mais seguro e mais confiável.

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