Não foi simplesmente uma grande vitória do Atlético sobre o Cruzeiro por três a um na Arena da Baixada. Dizer que foi grande seria dar uma aparência matemática, que às vezes esconde algo mais importante.
Não foi, tampouco, uma vitória espetacular, porque um espetáculo pode ocorrer de momentos eventuais, de repentes ocasionais, não encerrando todas as virtudes.
Esta vitória do Atlético sobre o Cruzeiro foi a representação viva de como um time alcança o estado prático de equilíbrio. No segundo tempo, então, chegou à perfeição: Marinho, Correa e Fabiano lá atrás pareciam ligados por um fio com Jádson, que tendo o controle de tudo no meio, jogava bolas para Dagoberto e Washington marcarem. Foi uma vitória irrepreensível, porque foi uma vitória sem traumas, centrada na naturalidade do esquema de Levir Culpi.
Foi uma vitória monumental do Atlético sobre o grande Cruzeiro. É que além das virtudes programadas (esquema tático), muito além das virtudes naturais (o talento de Jádson), teve um tom divinal: Washington, outra vez Washington.
Quando às vezes parece estar cansado, pesado e transformado numa espécie mortal, eis que faz coisas que só Deus pode esperar porque sabe que vai acontecer. Os dois gols de Washington não foram só importantes porque decidiram o jogo. Foram importantes porque foram belos. Mas não belos só pela evolução corporal dentro da área, mas pelo ambiente que criou. O terceiro inutilizou de vez o Cruzeiro, dando consciência aos mineiros que, além de vencer o Atlético, teriam que vencer um Ser superior. É impossível.
Balança
Enquanto o Atlético arrematava mais uma obra, o Coritiba já havia perdido para o Palmeiras e se enfiado em uma situação de desespero. Não me surpreende, porque referência do seu time sempre foi o título estadual. Desprezou o fato de que o Atlético submetia aos equívocos de comando.
A derrota no Parque Antártica pode ser benéfica, pois alerta os coxas das profundas deficiências individuais e táticas.
Pior é o Paraná que nem consciência pode ter de que é frágil. O que tem é definitivo para o bem ou para o mal.