Volte-se ao Paraná. Em um monólogo, impedindo perguntas dos repórteres, que é uma prova de incapacidade e coragem de enfrentar a verdade, disse o seu presidente Rubens Bohlen. “Realizamos auditoria para definir o valor da dívida e podemos garantir que ela é menor do que um terço do patrimônio do Paraná”.

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Teria sido melhor o silêncio. O único fato que pode ser considerado no seu “discurso”, foi o de ser concordado com o que eu escrevi, de que o desabafo de Marcus Vinícius teria que ser adotado como referência para a salvação.
O mal do Paraná é esse: seus dirigentes não sabem nada. A questão não é o valor que deve face à suposta liquidez do seu patrimônio. Tampouco se a dívida “é menor do que um terço”. Isso só poderia ser considerado, se o clube estivesse disposto a vendê-lo para pagar o passivo. E isso se torna irrelevante, porque um patrimônio só tem valor se ele está disponível. Todo o patrimônio está indisponível por algum tipo de ônus, em especial penhora.

A questão nuclear é se esse patrimônio rende para o Paraná o suficiente para lhe dar sustento para viver com dignidade. Qualquer acadêmico de economia irá concluir que não. A Vila Olímpica, sem qualquer uso, só dá prejuízos. O que rende a sede da Kennedy pelas mensalidades dos sócios, transforma-se em nada frente às despesas que a sua manutenção exige. São prejuízos diários, dívidas que não pagas, geram juros sobre juros. A espiral se alonga.

Tudo isso quer dizer: o Paraná não tem patrimônio. E, o pouco que resta, está sendo dilapidado pela atual diretoria. Não por desonestidade, mas por incapacidade de gerência. Às vezes, o incapaz provoca mais danos do que o desonesto.

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A sugestão para o Paraná cessar as atividades do futebol profissional por um determinado período causou impacto em alguns segmentos. Alguns ex-presidentes e muitos torcedores concordam. Ninguém está discordando. No mínimo, se quer pensar.

Como disse Marcus Vinícius: para se salvar, o Paraná precisa afastar a vaidade e o orgulho.

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