Quase todos os dias um técnico é demitido no futebol brasileiro. Com o tempo nossa cultura no futebol foi deformada pelo imediatismo da vitória, que remete a mudança de treinador como a solução para os problemas de um time. Esta cultura foi consolidada com a coincidência de que a mudança, quase sempre repercute em benefício do time, embora às vezes por curto tempo.

Mas esta coincidência trabalha em prejuízo ao futebol brasileiro. Dá amparo e estimula o improviso, fragmentando um projeto que em médio prazo poderia dar certo. O erro ganha uma agravante quando a diretoria se submete aos caprichos do novo treinador, que exige toda a renovação da comissão técnica.

Os campeões brasileiros dos três últimos anos contrariam esta “feliz coincidência”. O título do Atlético de 2001 nada mais foi do que a conseqüência da estrutura e critérios de gerenciamento criados a partir de 1995. A mudança de técnico não permitia a mudança de filosofia a ponto de uma mesma comissão técnica permanecer durante seis anos no futebol do clube. O técnico que chegava era obrigado a aceitar os critérios criados e desenvolvidos por um excepcional gerenciamento, que era profissional, mas desinteressado sem se afastar do ideal. Santos e Cruzeiro foram além: nem de treinador mudaram.

O Coritiba se deu bem nos dois últimos anos porque manteve Bonamigo, Robson Gomes, Oscar Yamato e Ramirez no comando técnico do seu futebol. A conseqüência da mudança coloca-o entre os últimos do campeonato. Não é culpa de Lopes, mas da mudança provocada, às vezes até involuntária e obrigatória.

O trabalho contínuo tornou-se fundamental para em médio prazo ter bons resultados. Acabaram-se os grandes times, porque já não se pode mais adquirir um caminhão de jogadores como antigamente. O conceito do grande time é estabelecido trabalho racional, que é o trabalho diário e que não pode ser interrompido só em razão de resultados.

Não existe nenhum time no futebol brasileiro nos últimos anos, que mudou tanto de técnico como o Paraná. Agora mesmo mandou embora Paulo Campos e trouxe Gilson Kleina. Vai exigir desse imediatamente as soluções que aquele estava tentando dar há muito tempo. Se Kleina perder três e coincidir com a queda do time para o grupo de rebaixamento, será demitido. Virá outro e outro, porque é impossível realizar um trabalho com esse modo adotado pelo Paraná, em que seu presidente torna-se refém do seu próprio clube.

De primeira: Como é comovente encontrar amigos do meu tempo de rádio em pleno centro da cidade. Um dia desses matei saudades de Cláudio de Júlio e o fantástico Reginaldo Loyola. *** Não existe nenhum clube paranaense que tenha tanto espaço na tevê como o Londrina. Para um minuto de Atlético, Coritiba e Paraná dá quatro do “Tubarão”.

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