Há entre nós um ar místico. São sentimentos que se revezam, se encontram e se misturam: esperança e angústia, certeza e medo.
O Atlético joga hoje em Guadalajara. Contra o Chivas não precisa marcar gol, pode até sofrer dois, e ainda assim será finalista da Libertadores.
Aconteça o que acontecer, vitória ou derrota, independente do arremate da história, um capítulo, talvez o mais importante, já está escrito: o Atlético já não é mais o mesmo. Números são números. Não é truque semântico ou retórico. Em hierarquia é o maior do Paraná, um dos maiores do Brasil. Basta ver os números do seu cadastro dos últimos anos.
Mas e se esse jogo de números, hoje no México, não passar de um faz-de-conta? Longe de preparar espíritos e encaminhar confortos.
Ao contrário já vejo o Atlético de carne e osso na grande final. Mas se não for, não terá reduzido a grandeza de sua história presente, que não sendo condicional, não é um exercício especulativo. Os fatos simplesmente estão acontecendo e transformando-se em história definitiva.
***
E o jogo de Guadalajara, perguntei a Paulo César Carpegianni, em Porto Alegre. Um tanto porque entende de futebol, outro porque quer ver o amigo feliz, respondeu Paulo César: o Atlético tem o que precisa na Libertadores, que é espírito que exige a competição. É a partir deste desejo de ganhar, que surgem os motivos individuais e táticos de um resultado.
Transportemos, então, esta teoria até Guadalajara.
Não há dúvidas de que os jogadores do Atlético não estejam à procura de uma conquista extraordinária e histórica. Há absoluta certeza que não da procura a simples satisfação material. Nessas ocasiões, o jogador faz do ganho material uma conseqüência natural, quase acessória do ideal de vitória pessoal que incentiva dentro de si.
O Chivas deve ter Sánchez, Carl Salcido, Morales, Medina e Corona que estavam jogando pelo México na Alemanha. Em tese deve jogar mais em relação à derrota da Arena.
Mas convenhamos que a tradição do futebol mexicano não autoriza diferenciar muito titular do reserva.