A impressão que ficou foi a de que o Atlético conheceu a sorte ontem em Caxias. Empatou um jogo, sem gols, que merecia ter perdido.
Ou não merecia?
Sejamos justos: não merecia perder, embora jogasse mal. Seria injusto perder, embora jogasse com medo.
Mas a derrota, como toda a derrota no futebol, faria esquecer uma das mais belas atuações que se tem notícia de um goleiro: Viáfara fez defesas, que quem se sustenta na fé para pedir coisas, à certa altura não estava vendo defesas, mas milagres.
O colombiano fez de tudo: pegou na direita, na esquerda, à queima-roupa, por cima, por baixo. E, quando parecia vencido no último minuto, e quando a derrota era inapelável e justa, e quando o corpo de Viáfara já havia passado da bola, eis o que fez: salvou com o pé. O jogo foi Viáfara.
Ascensão Coritiba 1 x Criciúma, 0. Mais duas vitórias, e pronto: os coxas estarão de volta à combalida elite do futebol brasileiro.
O que era uma expectativa por obrigação, passou a ser certeza pelos números. Com tamanha diferença do segundo colocado, nem o imprevisível do futebol é capaz de trabalhar para mudar o rumo da história.
E nada mais justo. Nem tanto pelo futebol que joga, que aliás, não vai além do limite inerente à segunda divisão, mas pela grandeza do clube. Ontem, trinta e cinco mil coxas descarregaram o resto da humilhação que provoca o desprezo da segunda divisão.
O gol do menino Keirrison, no início, salvou a festa e disfarçou mais um péssimo jogo do time de René Simões.