Quem rezava, já preparava para guardar o seu rosário, sem nenhuma esperança, quando aconteceu: em uma sobrinha de bola, no fiapo de tempo que restava, Dênis Marques, sabe lá com o que, bateu para dentro do gol do Juventude.
Gol do Atlético! Uma parte do povo, aquela que chorava, passou a cantar, a outra parte do povo, aquela que cantava, passou a chorar. Como explicar que, um gol, um acontecimento tão comum, um fato tão diário, de repente se torna um fato inédito, daqueles que morrem ao despertar de um sonho.
Segue a cena: no campo, Dênis – logo Dênis, tão perseguido – é transformado na base de uma pirâmide humana pelos companheiros, que talvez, desabafam mais a vergonha dos fracassos do que a ansiedade por uma vitória. E Dênis, então, fez o que todos os atleticanos deveriam ter feito: ajoelhado, ergueu os braços para o céu, e rezando, agradeceu a Deus pelo gol, que àquela altura dos acontecimentos, já não era mais um gol, era um verdadeiro milagre.
Em meio a tão comovente final, calou-se a pergunta: como é que o Atlético venceu? Só Deus sabe. E, é melhor que ELE não conte para ninguém.
Surpresa
O Paraná ganhou de 5 a 2 da Ponte Preta, em Campinas, onde é difícil ganhar. Qual o significado desta vitória do Paraná? A resposta não é tão simples como sugere o resultado e o grande jogo do time tricolor.
É que não é normal um time ser medíocre em casa como foi contra o Figueirense, e dois dias depois ser brilhante como foi em Campinas. É verdade que com Leonardo e Cristiano o time ganha mais força no ataque, repercutindo em todos os outros setores, porque a bola não volta com tanta freqüência. Mas, a goleada analisada como um conjunto, revela a irregularidade do time de Caio Júnior. Ganhar de cinco hoje e depois perder como se nada tivesse, não é coisa normal.
Entrevista
Da entrevista coletiva de sábado na Arena, nada ou quase nada pode ser aproveitado. As mesmas perguntas, as mesmas respostas, o auto-elogio, a retórica repetitiva de um discurso repetitivo. Peguem a fita da entrevista anterior e repitam: é a mesma coisa. De diferente só a ida a Brasília para pedir um financiamento para terminar a Arena. Quer dizer: o Atlético depende de tomar dinheiro no mercado para fazer o estádio.