Lima, o indesejável Lima, lembram?
Estimulei a ilusão de um gol aos 45 minutos do segundo tempo de Lima. Esqueci que poderia ser no último segundo da prorrogação. Não lembrei que poderia ser no último dos pênaltis. Fui infeliz, errei, como todos os apaixonados erram. Esqueci que na vida sempre tem um segundo a mais. Ou um pênalti a mais.
E lá vai Lima. Vai Lima, pelo amor de Deus! O desejável, o querido, o histórico e agora, o inesquecível Lima bateu como se fosse o último chute da sua vida.
Atlético campeão do Paraná.
Quando vi a bola chutada por Lima passar pelo excelente Fernando, e bater na rede dos coxas, lembrei de um saudoso e querido amigo, injustiçado por esses mesmos pênaltis. Nenhum atleticano merecia mais ser campeão nos pênaltis contra o Coritiba, do que Tonico Luck. Aquele seu Atlético de 1978 perdeu assim, quando era justo ter ganho com bola correndo. Querido Tonico, minhas lembranças, minhas saudades, e finalmente, mesmo longe, a justiça.
Voltemos ao Atlético, campeão na Arena.
Foi um jogo desigual, embora jogado com igualdade.
Os coxas, tenho a impressão, pela primeira vez na vida, tremeram. Jogavam pelo empate, mas parecia que corriam atrás do impossível. Reclusos na defesa, imaginavam que o jogo terminasse no próximo minuto, permitindo que o Atlético desafogasse as suas mágoas. O que se viu foi um Atlético cheio de vida e de conforto para buscar o gol que o tornasse igual. E aí veio o gol de Denis Marques, que, no resumo da história, foi o gol do título.
Maltratado Dênis, que jogava a própria vida, como se fosse um messias. Bendito Dênis, o gol que fez salvou alguns deuses, que pareciam condenados.
Mais bendito Atlético. Usou o ideal ao invés da técnica, usou a alma ao invés do físico, usou a emoção porque a razão já não mais existia. Quando o ideal, a alma, e a razão são coloridos de vermelho e preto, tornam-se insuperáveis. O Atlético não é campeão pelo casuísmo dos pênaltis, em que a sorte e o azar se revezam e nos maltratam.
O Atlético é campeão porque é Atlético.