À certa altura do jogo de Argentina 2×1 Nigéria, vendo o sofrimento de Messi, lembrei de Zico. Como Messi, Zico ganhou quase tudo: carioca, brasileiro, Libertadores e Mundial. Mas foi a derrota para a Itália (3×2), na Copa da Espanha, que ele se obriga a carregar até hoje.
Não há nenhum jogador mais injustiçado no Brasil do que Zico. Foi o maior do seu tempo, mas obriga-se até hoje a carregar a derrota na Espanha. O Messi de São Petersburgo seria o nosso Zico do Sarriá.
Não só parece como é o mesmo tema. É uma releitura de um livro mal escrito. O personagem principal é o mesmo, a vítima é a mesma, os coadjuvantes é que são diferentes. Sob o pretexto de transformar o Atlético em um “clube alternativo” aos dos grandes centros, o seu dono Mário Celso Petraglia provoca fatos de impactos, que por não terem base, em pouco tempo tornam-se irresponsáveis. Só que a vítima não é ele, é o Clube Atlético Paranaense.
A experiência maldosa com Fernando Diniz nada mais foi do que a repetição de outras: Casemiro Mior, Lothar Matthaus, Juan Ramon Carrasco, Miguel Angel Portugal, Milton Mendes e Sergio Vieira.
A pretensão de inovar nunca teve como objetivo o novo no sentido técnico, de criação de um padrão inovador de jogo, de revelação em sequência de jovens, de uma sequência racional e lógica de um projeto. A surpresa, em especial, através do desconhecido e do inesperado, só tem como objetivo apenas a satisfação ao mando impositivo dos processos arbitrários.
Vou insistir: a saída de Fernando Diniz era o menor dos problemas do Atlético. Ele foi embora, mas o Furacão como instituição continua em um estado de penúria, que só não é escancarado publicamente em razão de que os fatos são sufocados dentro do CT do Caju.
E a saída de Petraglia do futebol é o truque do velho balão de ensaio: Petraglia transforma o doutor Emed em um boi jogando-o num rio de piranhas, só para matar a vontade da torcida, que exigia a saída de Fernando Diniz. Mas Petraglia que não se engane, porque a torcida pode ser vítima de ilusões, mas não será vítima de sua esperteza: como mandante de tudo, deixou o Atlético na segunda divisão.
O doutor Sallim tem a grande oportunidade de desmanchar a imagem que se criou de simples executor de ordens de Petraglia. É um médico independente, pessoa capaz de dirigir o maior hospital de Curitiba, e homem de bem. Não pode e não deve submeter a sua bela história ao casuísmo do arbítrio.
Não deve só assumir o futebol, como o próprio clube. Conversar com atleticanos, que tiveram a mesma participação de Petraglia na construção desse Atlético solvido com um título brasileiro e um estádio pago. Neste momento, o técnico tem que ser escolhido para executar um único projeto: tirar o Atlético da segunda divisão onde Petraglia e Diniz o deixaram. Há cinco treinadores disponíveis no mercado: Cuca, Abel Braga, Dorival Júnior, Levir Culpi e Paulo César Carpegiani. Abel está em férias, Cuca está indo para o Sporting de Lisboa, e Dorival Júnior mantém um nível salarial que não se adapta ao Atlético.
Então, os treinadores disponíveis no mercado usando-se como referência o custo benefício: Levir Culpi e Paulo César Carpegiani. Com qualquer um haverá risco, pois Diniz-Petraglia deixaram o futebol atleticano em terra arrasada. O que será preciso é diminuir o risco do erro.