O Atlético merece ser campeão do Paraná, não há dúvida. Desconte-se a irregularidade individual e tática, que a certa altura o levou a ser um time absolutamente comum, provocando uma reação de arquibancada que quase origina uma crise; desconte-se a insegurança provocada pela intransigência do técnico Geninho, em querer ser excessivamente paternal com alguns jogadores, retardando o uso de jovens talentos como Raul, Fransérgio e Wallyson.

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Imaginemos vários outros motivos para dar descontos para se alcançar a verdade que se pretende. Ainda assim, o Atlético merece ganhar o título do Paraná: sempre foi líder, e a única vez que precisou ir atrás da liderança, conseguiu sem grandes traumas.

Não se trata de uma análise de fatos abstratos. Ao contrário, de números: o Furacão chega amanhã para o Atletiba como o único que depende de si para ser o campeão.

Mas o futebol é tão complexo na procura de suas soluções que o merecer sempre está distante do ser, e daí se torna perigoso e traiçoeiro. E aí um time, por mais que tenha sido superior aos outros, só merece quando consegue sê-lo. Verdade e mentira no futebol só se dissociam depois do fato final ocorrido.

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Jogo

Se o número limitado fosse o de dois jogos para ver durante todo o ano, não precisaria provocar a curiosidade. Sempre seriam dois: o Atletiba do 1.º turno e o Atletiba do 2.º turno, ambos pelo Campeonato Paranaense.

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Não existe nada mais sensível, comovente e emocionante. É que sempre um Atletiba pelo nosso campeonato decide a vida de um, quando não decide a vida dos dois. Como é a regra da tradição.

Os jogos do Brasileiro, embora sejam clássicos de rivais, não têm a sensibilidade da disputa caseira, pois foi exatamente essa que fez nascer a instituição Atletiba.

Será um grande jogo o de amanhã, na Arena. Não tanto pela rivalidade, que obriga o jogador a se exaurir, mas pelas circunstâncias: de um lado, o Atlético jogando o título; do outro o Coritiba, jogando as últimas ilusões. E em especial, o orgulho próprio de não deixar o rival histórico comemorar. Times iguais em clássico, tornam qualquer análise acadêmica e temerária.