Imagine a RPC arrependida de ter comprado os direitos de transmissão desse campeonato. O que deveria fazer, qualquer um faria: rescindir o contrato, não pagar eventual saldo, e ainda pedir a devolução do que já pagou mais perdas e danos.
E teria justa causa: comprou um produto, que pensava ser pelo mesmo razoável para um programa de noventa minutos, e lhe foi entregue um pacote com a mercadoria estragada.
Ontem, o jogo do Couto Pereira, entre Coritiba 1 x 0 J. Malucelli foi constrangedor. Se o campeonato paranaense fosse levado à série, o jogo seria para chorar. Já tinham sido os anteriores, e é certo que serão os futuros.
É um campeonato absolutamente sem nada. Não existe nenhum grupo que se enquadre no conceito de time. Não tem um único jogador que provoque curiosidade como atração. E se pode buscar o conforto do início de temporada, pois a qualidade se vê a qualquer tempo. Nunca um campeonato foi tão medíocre como esse de 2007. E mais grave ainda, está viciado pela ilegalidade.
A Adap Galo não poderia jogar como não poderia ter jogado em anos anteriores. Está registrado como Adap, que não é uma entidade de pratica desportiva, e sim com o fim único de seus sócios terem lucros. Alguns jogadores têm contrato somente com a Adap, o que implica em outra ilegalidade: têm contrato com uma empresa que é ilegal por não ter natureza de prática desportiva, e jogam por outra. A forma de divisão do capital social do impetrante indicia mascaramento da atividade de empresária do futebol sob a forma de entidade esportiva.
Em São Paulo, o Ituano Sociedade Ltda., que era arrendatário do Ituano Futebol Clube, não pode ocupar o lugar do Sertãozinho, para o qual levou os seus jogadores.
O Atlético foi o único honesto: sabendo da mercadoria que tinha, preferiu não colocá-la no pacote.