Só para lembrar. O plenário do Tribunal de Contas do Estado aprovou um parecer, que, resumindo as suas 70 folhas, pede transparência na relação entre o Estado do Paraná e o Município de Curitiba na equação financeira para a construção da Baixada.
Não obstante ser de conteúdo técnico, a importância central da mensagem não foi destacada. O parecer é um pito público dado aos governantes. É que até agora, do que foi contrato para trazer a Copa do Mundo para Curitiba, e induziu o Atlético a destruir a Baixada, nada foi feito.
Acreditando nos parceiros públicos, o clube vem investindo há muito anos: comprou o terreno da Madre Maria, contratou e pagou projetos, desmontou e desativou a Baixada ao custo da perda de 100 sócios diários. Entre o valor investido e o que deixa de razoavelmente ganhar, o Atlético já investiu próximo a 30 milhões de reais.
O Furacão queria e quer, é verdade. Mas essa sua disposição de vontade seria irrelevante diante da prevalência do interesse do poder público. E era, e continua, o interesse do Estado e do Municipio que a Baixada seja o estádio da Copa. Trocou um investimento de 600 milhões de reais, que custaria um estádio novo, por 90 milhões de reais, por enquanto virtuais, aproveitando a Baixada.
Já passou o tempo da retórica de palanque. Aqui não se trata de um mercado de ilusão, em que as promessas de comícios não precisam ser assinadas. Trata-se de contrato assinado, em que uma instituição do povo foi atraída e acreditou. No palanque, pede-se voto para o cargo de prefeito, mas desprezam-se obrigações que deixam a maior torcida do Paraná ao desabrigo, sem saber quando volta para casa.