Mentira e verdade

Um dia desses, um amigo coxa-branca se revelou indignado com o que considerou um desprezo da minha parte. É que não escrevi uma única linha sobre a volta do Coritiba à Primeira Divisão e a conquista do título brasileiro da Segunda Divisão.

E já aviso aos atleticanos que não escreverei nenhuma linha de exaltação ao Atlético. É que independentemente de uma vitória sobre o Avaí, na Baixada, o Furacão nada mais fez do que não ser rebaixado para a Segunda Divisão.

Clubes que batem na média de 20 mil pagantes por jogo, que já conquistaram títulos nacionais, que já jogaram a Libertadores da América, não podem tratar como conquista a volta à Primeira Divisão ou não cair para a Segunda Divisão. Esse limite torna o clube pequeno, acomoda os sentimentos, limita-os a um conforto de ocasião.

Por um gol naquele desastre contra o Fluminense, o Coritiba teve que ir ao inferno para voltar à Primeira Divisão. Por um gol, aquele de Cláudio Pitbul, em Erechim, contra o Grêmio, o Atlético perdeu o bicampeonato brasileiro.

Um dias desses, o treinador Ney Franco, que passou quase dois anos morando em Curitiba, convocou a Seleção Brasileira pré-olímpica. Entre os 25 jovens, há jogador desconhecido da Itália, do Avaí, do Grêmio Prudente e do Vitória. Mas não há um único jogador de Atlético, Coritiba e Paraná. Há prova maior do gerenciamento sucateado do futebol dos nossos clubes?
Ganhando do Avaí, o Furacão baterá nos 60 pontos. Dirão que faltou um ponto, ou que com mais dois estaria entre os quatro primeiros. É ai que vem a grande questão: sempre está faltando alguma coisa. E, assim, vamos continuar mentindo para nós mesmos.

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