Certa vez perguntaram ao escritor Alberto Camus, Nobel de Literatura (1957) de onde vinha tanta sabedoria sobre a moral. Respondeu: “O que finalmente eu mais sei sobre a moral e as obrigações do homem devo ao futebol”. Camus, enquanto acadêmico, foi goleiro do time da Universidade da Argélia.
Lembrei-me da postura original do grande pensador, vendo jogar, no Parque Antartica, os meninos do Atlético, que só há pouco foram emancipados pela bola. Lá foram eles, sem direito ao erro, como se fossem os únicos mortais da terra. Carregando em rede nacional, o peso de uma desumana responsabilidade moral, foram jogar sob suspeitas. Por uma derrota para o Palmeiras, lhes seriam negados as razões da lógica do futebol, do erro da arbitragem (como a não marcação do pênalti de Lucio), e da emoção, que às vezes, o mais sorte dos humanos é incapaz de controlar.
O empate nem sempre dá idéia de igualdade. Às vezes, tem que ser tratado como vitória. Como esse empate, 1 a 1. O Furacão ganhou o jogo porque mostrou, através desses jovens, que tem auto-respeito. E esse só tem quem possui dignidade.
Estruturando o esquema tático e o comportamento individual neste auto-respeito, o Atlético foi brilhante no campo técnico. É possível afirmar, que o seu primeiro tempo foi perfeito, o seu melhor neste campeonato. E só não ganhou o jogo, porque a arbitragem cumpriu o seu papel: o lance em que a bola foi na mão de Lucio na área do Palmeiras teria que ter a mesma lógica de interpretação do pênalti, que salvou os paulistas.
No mesmo dia em que Alex, um último craque recente do futebol paranaense deu adeus ao futebol, o Brasil conheceu outro com vocação para ídolo, e que já tem repentes do craque que será: Nathan. Só que esse veste a camisa rubro-negra do Furacão. O primeiro tempo que fez há tempo não se via um jogador do Atlético fazer. Depois dele, Otavio. Brilhante.