É precisar lembrar: o discurso de Ricardo Guerra era o de que seu grupo tinha o projeto que iria revolucionar o Coritiba para os próximos 20 anos. Ninguém duvida: a torcida do Coritiba foi motivada por esse discurso e passou a imaginar um clube moderno, rico e vitorioso.

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  Sábado, apenas cinco meses depois, Ricardo Guerra apresenta o pior tipo de carta renuncia que possa existir, que é aquela que quer contar, insinua os motivos, mas é escrita com medo e não conta nada. O que não podia era fazer o que fez: provocar interpretação jogando as dúvidas nas entrelinhas. Ao afirmar que não é a execução do projeto prometido, responsabiliza a todos. Eleito, tinha obrigação de brigar por suas ideias. Vencido em um conselho, teria que aceitar.  Do contrário, seria uma conduta arbitrária.

Desculpem a comparação, mas o maior exemplo da prevalência do interesse do clube sobre a ideia pessoal resultou na grandeza do Atlético. De 1995 a 2002 Petraglia, Fornea e Adur conviveram juntos, saindo fumaça das reuniões. Mas proposta que prevalecia era respeitada. Hoje, o Atlético está carente, pois Petraglia está solitário, pois não tem em quem confiar, conversar e debater.  Bem que a solidão poderia fazer Petraglia procurar por velhos companheiros.    

Por mais forte que tenha sido o motivo que provocou a sua renúncia, Guerra criou uma marca negativa como coxa. Não é razoável que alguém crie uma expectativa popular em torno de um projeto, e em cinco meses rasgue tudo, vire as costas para todos e vá para casa como se fosse um menino mimado por duas avós. Lamenta-se, pois se trata de um jovem brilhante, inteligente e idealista. Mas quando se mexe com um valor do povo, como é um clube de força popular como o Coritiba, as atitudes devem ser pensadas e executadas na medida e momento exatos.

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