Menino da porteira

Um campo forrado de areia para tapar os buracos das trilhas de terra. Sobre ele dois times, que por serem rústicos, ficaram confortáveis porque o jogo exigia força, pancada e bicões.

Não pense o leitor que estou escrevendo sobre um jogo de fazenda, jogado por peões sobre o pasto, à espera que se abra a porteira do curral para tocar a boiada em frente.

Não pense o leitor que se trata de uma canção de Sérgio Reis, ou um conto singular de Guimarães Rosa. Estou tratando do jogo entre Paraná e Atlético, que quem não sabe, em um dado momento da história foi um clássico. O Paraná, pelos mais diversos motivos, tratou de reduzi-lo a pó e jogá-lo em uma vala comum, como o de ontem, ao entregar Vila Capanema com um campo estropiado pela irresponsabilidade da sua administração.

Tudo do Tricolor, se não foi, está indo pelo ralo: o exemplo administrativo deixado por Ferroviário e Pinheiros e o Parque Britânia já foram, e nessa semana, em leilão, irá o Palestra. E, quando se deixa perder a grama do campo, é sinal de que o orgulho próprio, também, já foi.

Perguntará o leitor: e o jogo?

Melancólico pelo cenário. Um tédio, porque “tédio é esperar tudo chegar tudo se transformar”, como diz o poema do jovem curitibano Leo Gaede.

Foi dois a dois, placar que sugere um jogo de alternativas, que resultam emoções. A aparência do resultado engana. Foi o jogo medíocre que se esperava. E não foi em razão do gramado. Quem sabe jogar, jogou: Lúcio Flávio, Reinaldo, Zezinho e, em especial, esse arisco Douglas Coutinho.

Culatra

Ao tirar o Atlético da televisão, o presidente Mário Celso Petraglia fez o papel das rádios de Curitiba. Restando o rádio como única opção, a audiência e o faturamento das emissoras comerciais em jogos do Furacão, triplicaram.

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