Mauricio.Fruet@céu para Gustavo.Fruet@terra

Querido filho,

Se não escrevo bem é porque a emoção do pai diante de uma vitória do filho reprime as palavras, põe em descompasso os sentimentos, não controla as lágrimas. Quero dizer, Gustavo, que maior que a felicidade por sua conquista, é o meu orgulho. Há muito tempo que no Brasil a vitória em uma eleição majoritária decorre só da aliança de interesses do discurso populista, quase sempre se utilizando a máquina estatal. Então, surge aqui, a razão do meu orgulho, filho: você foi eleito prefeito de Curitiba por uma vitória pessoal, do seu nome, das suas ideias e da sua conduta irrepreensível. As alianças políticas a que você se obrigou a aderir para ganhar o direito de concorrer, e que lhe havia sido maldosamente subtraído, foram irrelevantes. Nada lhe obriga no futuro. Você ganhou essa eleição, como Garrincha ganhou a Copa de 1962 e Romário de 1994: sozinho.

Não é preciso lhe aconselhar, por que é da sua sabedoria: não governe como político, mas como administrador, porque só os bons administradores irão sobreviver na política brasileira. Descarte eventual mágoa, continue humilde, adote a lição de Gabriel García Marques: “Aprendi que um homem só tem o direito de olhar um outro de cima para baixo para ajudá-lo a levantar-se”.

Sei, meu filho, que Curitiba tem prioridades de caráter social, como a saúde e a segurança, que precisam imediatamente ser enfrentadas. Mas tem um assunto de apelo popular que reclama uma solução presente: é a insegurança jurídica que foi criada pelos interesses eleitorais, sobre o contrato que o municipio assinou com o Atlético para remodelar a Baixada. Somos Coxas, e dos grandes, todos sabem, filho. Mas você agora é um administrador. E só há segurança na sociedade quando o Estado cumpre os seus contratos e as suas obrigações. Está muito fácil resolver essa situação, acredite. O problema já não é político, nem de rivalidade clubística, mas da credibilidade pública da gestão da obra.

Para enfrentá-la, é preciso se impor, sem medo de reações. Sei que você tem grandes amigos atleticanos, que sabem o que se passa e o que deve ser feito. Filho, resolva logo isso, para você não passar um ano pressionado, e ainda responsabilizado de omissão. E você não será o prefeito que deixou Curitiba sem a Copa do Mundo, tenho certeza.

Obrigado pela alegria, filho. De um beijo para os seus irmãos Cláudio e Eleonora, e para a Márcia, a nossa primeira dama. Com a sua mãe Ivete já falei e chorei ontem. É que não se chora só de saudades, mas também de orgulho dos filhos.

Maurício.

PS: a forma do texto é criação do maior jornalista do Brasil, Elio Gaspari.

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