Às vezes, lutamos para esquecer um certo passado. Nossos recursos parecem poderosos: fatos, coincidências, consolos, todos parecem inesgotáveis. Quando pensamos que o esquecemos, ele volta. Provocando-nos com certa maldade, nos causa angústia. Aprendemos, então, que há marcas que foram tão profundas que nunca se apagarão. Minha geração tinha recém-nascido, quando no dia 16 de julho de 1950 o Brasil perdeu o título da Copa do Mundo para o Uruguai: 2 x 1. A derrota brasileira foi impressa em espanhol: Maracanazo. Quem viu, contou a história. Quem ouviu, contou-a como lenda. E hoje conta-se sem se importar com a verdade, por que a marca da derrota sempre será mais forte.

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Depois ganhamos várias vezes dos uruguaios. Em todos os lugares e de todas as formas. E vamos continuar a ganhar. Mas por mais que a vitória seja grandiosa, a marca de 1950 se eternizou. O que a bola escreveu não se apaga. Então Mario Quintana escreveu: “O passado não reconhece o seu lugar: está sempre presente”.

Compensação

Escrevi na edição de ontem que o Atlético é vítima desse processo de Copa do Mundo. Citei, entre outros motivos, o da perda de receitas até a data em que o estádio for devolvido a ele pelo Estado, Municipio e a Fifa. Estimei em 50 milhões de reais. Errei. Ontem, uma noticia de consultoria especializada afirma que o Coritiba, só em 2012, lucrou com o uso do Couto Pereira o valor de 32 milhões de reais. A média de público e de sócios pagantes entre Atlético e Coritiba é próxima, às vezes, igual.

Presumo que esse prejuízo do Atlético alguém vá ter que pagar ou que o Atlético tenha que cobrar. Não é justo que o clube seja inibido com a suposta ajuda do poder público para não compensar o que perdeu.

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