Os atleticanos discutem se o modelo da 3.ª camisa é moderno ou não. Discussão própria de uma arquibancada, que nos últimos anos está carente de atrações. Não tem mais ídolos, e os títulos que se contam, são fatos do passado.

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Atualizo o tema: o Atlético lançou uma camisa de faixas largas no sentido horizontal, em que o branco reveza-se com um vermelho em tom claro, reduzindo o preto a um simples detalhe. Dizem que é a 3.ª camisa. É irrelevante.

O estilista do Atlético não tem sentimento para definir o conceito de belo. A beleza de uma camisa não está na aparência, mesmo que ela provoque impacto nos olhos do povo. A camisa será bonita, desde que ela seja leal à história do clube. Mas, muito mais do que mau gosto estético e deslealdade histórica, revela uma desconfortável subtração da tradição, em homenagem a uma suposta modernidade.

Existem fatos públicos que dão origem a essas intenções. Em 1995, Mário Celso Petraglia queria fazer uma fusão com o Paraná, com o objetivo de encurtar o caminho. Perguntei-lhe qual seria o nome e a camisa. Respondeu: “Qualquer nome e a camisa de qualquer cor, inclusive mostarda”. Felizmente, para os atleticanos, prevaleceu a soberba dos tricolores da época, que se iludiam com o “clube do ano 2000” e, dominados pela soberba, só aceitavam o negócio se fosse para incorporar o Furacão.

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Não conformado, Petraglia propôs uma fusão com o Coritiba e o Paraná. Felizmente, para os atleticanos, o grandíssimo Sérgio Prosdócimo respondeu: “O Coritiba é o único puro sangue do Paraná. Não se mistura”.

Na época lembrei Petraglia, que certa vez, provocado para exaltar o Tejo como o maior rio de Portugal, Fernando Pessoa respondeu em versos: “O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia. Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia, porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia”.

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Por não ter saído a fusão, o Atlético hoje, por ter sido o clube que mais cresceu na última década com a geração Arena da Baixada, é o maior do Paraná. Agora, sem que ninguém perceba, as coisas estão se modernizando, à maneira como queria no passado. O nome Atlético já está se tornando submisso ao CA Paranaense, conforme expressão na camisa; o preto, pelo projeto de modernização, presume-se, deve perder lugar para o branco; o vermelho não é o vermelho “da camisa rubro-negra, que só se veste por amor”; as listras, que são verticais, passam a ser horizontais. E o rubro-negro passa a ser alvirrubro.

É impressionante o fracasso das ações de marketing desse Atlético moderno. Por mais que faça, todas as marcas foram conquistadas no passado: Caju, Baixada, Furacão e Caldeirão. Só mesmo essas marcas é que evitam que a modernização acabe com a tradição atleticana.

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Em tempo: Termino de escrever esta coluna às 18h49. De imediato, envio para a Tribuna. Portanto, antes do resultado do jogo em Recife. Esclareço esse fato porque o resultado em campo, às vezes, corrompe a paixão.