Volto à Arena da Baixada, mas já com o coração me avisando: não baterá como bateu na sua inauguração de 24 de junho 1999. Dirão que as diferenças são brutais. Dependendo do ângulo que se vê, concordo. No plano arquitetônico e material, quando acabada, essa Baixada será uma das mais belas do mundo. Aquela também era bela para os padrões da época. Só agora é que as comparações para gente sem memória podem a tornar modesta.

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Mas para quem conserva o sentimento em estado bruto, e por isso inalienável, aquela Baixada como fato histórico, é mais importante. Sem a de 1999 não haveria majestosa com a identidade Fifa. Aquela, construída com o ideal atleticano, enquanto valor de vida. O dinheiro que a construiu foi puro, originário do sacrifício de todos os atleticanos, alguns deles hoje ignorados e desprezados por contos da carochinha que se tenta transformar em história. Não foi construída com os vícios de interesses pessoais e políticos como essa. Aquela, a de 1999, teve uma marca do ideal tão forte e tão profunda que absorve a atual como fato histórico.

Na volta à Baixada confesso, não sei como me comportar.

Às vezes tenho a impressão de que se tornou propriedade exclusiva de uma pessoa só. E que por isso entrando, tenho que ficar sentado e em silêncio. Não sei se será como antes, se poderei xingar o juiz, cantar a paródia da música de The Wall, do Pink Floyd, vibrar por um gol do Furacão, chamar o técnico de burro, e virar para trás para aplaudir ou vaiar o presidente.

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Atlético e Corinthians fazem um jogo para a Fifa concluir o que falta para a Baixada. Mas na prática, o jogo pode perder o ambiente de festa e se transformar num teste interno para a vida do Atlético. A sua torcida, ao contrário do que se pensa, não negocia sentimentos. Com a proximidade da zona de queda no Brasileiro por falta de time, anda sentida. Não se engane. O jogo não irá testar apenas a Baixada, mas também o grau de angústia do torcedor atleticano.